Autoridade Palestina recusa jogo da paz proposto por Lula

Presidente sugeriu a formação de um time misto de palestinos e judeus para enfrentar a seleção brasileira

Jamil Chade, correspondente,

06 de janeiro de 2010 | 16h30

O governo da Autoridade Palestina agradeceu, mas recusou por enquanto a proposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de realizar um amistoso da seleção brasileira de futebol contra um combinado de jogadores israelenses e palestinos. A proposta já havia sido ironizada pela imprensa internacional, que alertava que Lula esperava resolver um problema milenar com o futebol. Lula queria a partida durante sua turnê pelo Oriente Médio, em meados de marco.

 

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Questionado pelo Estado nesta quarta-feira, 6, o ministro de Relações Exteriores da Autoridade Palestina, Riad Malki, confirmou que a ida da seleção não deve ocorrer por enquanto. "Apreciamos a oferta de Lula para mandar a seleção. Consideramos que, por enquanto, como não há processo de paz e ainda há um impasse de ambos os lados, o momento pode não ser o certo para fazer isso", disse o chanceler.

 

Em entrevista no dia 22 de novembro, Lula relatou que os presidentes de Israel, Shimon Peres, e da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, demonstraram em encontros recentes "simpatia" pela ideia de um "jogo da paz", que seria realizado em campo neutro. "Já há disposição dos dois (Peres e Abbas) de montar uma seleção meio a meio", disse Lula. "Se derem colher de chá, até eu posso jogar de centroavante", completou. "E se acontecer, será uma coisa muito importante."

 

Visita à região

 

Sua ideia era de que a partida ocorresse durante sua visita pela região, o que certamente chamaria a atenção internacional. Um obstáculo ainda seria convencer a CBF a incluir a partida no calendário da seleção. O jogo seria nos moldes da partida entre Brasil e Haiti, em Porto Príncipe, em agosto de 2004.

 

Em 2009, o Itamaraty criou uma divisão para lidar com o uso do futebol como um instrumento de política externa, enviando técnicos a uma série de países.

 

"Acho que todos os torcedores palestinos adorariam ter a seleção jogando na Palestina, inclusive meus filhos que admiram os jogadores. Mas obviamente o momento terá de ser discutido", disse Malki.

 

O chanceler ainda deu indicações de que a partida possa ocorrer antes a Copa do Mundo, em junho. Mas não deu nenhuma garantia de que isso ocorreria enquanto o processo de paz estiver parado. Um combinado de jogadores palestinos e israelenses já atuou no passado. Em 2006, realizou um jogo contra a seleção da Andaluzia, na Espanha.

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