Theo Marques/Estadão
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Autores da denúncia contra Lula rebatem críticas de que julgamento foi político

Procuradores Deltan Dallagnol e Carlos Fernando dos Santos Lima, da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba (PR), afirmaram que o julgamento comprova que o processo obedeceu a critérios técnicos

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2018 | 07h52

SÃO PAULO - Os dois principais autores da denúncia que resultou na confirmação da condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta quarta-feira, 24, se manifestaram publicamente sobre o julgamento e procuraram afastar as críticas de que o processo foi político, como sustenta o petista. A mesma linha de defesa foi adotada pelo juiz Marcelo Bretas, responsável pela Operação Lava Jato no Rio de Janeiro.

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Acusados pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de formularem uma denúncia sem provas, os procuradores Deltan Dallagnol e Carlos Fernando dos Santos Lima, da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba (PR), afirmaram que o julgamento do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) comprova que o processo obedeceu a critérios técnicos.

Na noite desta quarta-feira, 24, Deltan Dallagnol disse que a atuação do procurador Maurício Gotardo Gerum e dos magistrados que confirmaram a condenação de Lula foi técnica. "Deixo o meu reconhecimento pela atuação firme, imparcial e de alta qualidade técnica do procurador e dos desembargadores", escreveu Dallagnol, no Facebook.

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"No Ministério Público, como no Judiciário, cada procurador segue a Constituição, a lei e a sua consciência", destacou Dallagnol, que no dia 14 de setembro de 2016 anunciou a primeira denúncia contra Lula na Lava Jato, com uma apresentação de PowerPoint e colocando o petista como peça central e "comandante máximo" no esquema de corrupção na Petrobras.

Na publicação, Deltan Dallagnol compartilhou um vídeo com a sustentação oral de Gerum durante o julgamento e pediu aos internautas para que se concentrassem nos 5 primeiros minutos da fala, tempo em que o procurador rebateu as críticas de que o processo é político, e não jurídico. "Uma tropa de choque com atuação nos mais diversos espectros foi criada para garantir a perpetuação de um projeto político pessoal que não admite outra solução nesse processo que não seja a absolvição", discursou.

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Já Carlos Lima, mentor das delações premiadas da operação, publicou um artigo na edição desta quinta-feira, 25, do jornal Folha de S. Paulo afirmando que "ao final prevaleceram os fatos" no julgamento de Lula. "Não se julgou a figura histórica de Luiz Inácio Lula da Silva ou a sua possibilidade de se candidatar à Presidência da República nas próximas eleições", escreveu. "Luiz Inácio foi julgado conforme a lei."

Os procuradores têm falado, em suas manifestações públicas, que a Lava Jato só terá efeito positivo se a população eleger neste ano candidatos comprometidos com o combate à corrupção. Em seu artigo, Lima defendeu que o julgamento do petista precisa ser analisado sem considerar os efeitos eleitorais. "A justiça foi feita. Que venham recursos sobre questões de direito e que sejam julgados devidamente. Quanto às próximas eleições, que Deus nos dê sabedoria."

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Bretas. Longe dos processos que envolvem Lula, e responsável pela Lava Jato no Rio e pela prisão de outros políticos notáveis, como o ex-governador Sérgio Cabral (MDB), o juiz Marcelo Bretas usou seu perfil no Twitter para defender o resultado do julgamento que, além de manter a condenação, aumentou a pena de Lula. Bretas disse que o mais importante é que a Justiça é "transparente" e "imparcial" em suas decisões, "sujeitas ainda a vários recursos." O juiz classificou as discordâncias com o resultado da sentença como "inconformismo". "Eventual reclamação pública é, apenas, inconformismo de quem tem seu interesse contrariado", escreveu. 

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