Dida Sampaio / Estadão
Dida Sampaio / Estadão

Autor do pedido para coleta de assinaturas digitais diz que Brasil deveria ter menos partidos

Deputado protocolou em 2018 consulta que pode ajudar a criar sigla de Bolsonaro

Tiago Aguiar, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2019 | 10h22

A tentativa apressada de criação do partido Aliança pelo Brasil por assinaturas digitais só é possível graças a um deputado federal que não pretende compor a futura sigla bolsonarista. Jerônimo Goergen (PP-RS) protocolou a consulta no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em dezembro de 2018, a pedido da direção do Movimento Brasil Livre (MBL), mas diz acreditar que o Brasil deveria ter menos legendas e nega intenção de sair do PP.

O pedido, que deve ser analisado pelo plenário da Corte nesta terça-feira, 26, é a primeira aposta do presidente Jair Bolsonaro para que seus aliados mais próximos disputem as eleições municipais de 2020.

“Foi só um presidente falar que a coisa andou”, afirma o deputado, que diz não ter conversado com o Planalto sobre o tema. Para Jerônimo, a formação do Aliança pelo Brasil é uma oportunidade de Bolsonaro liderar uma reforma política.

O deputado acredita que iniciativas de criação de partidos como a do MBL são por falta de espaço para lideranças jovens nas legendas tradicionais. “Além do partido do Bolsonaro, mais partidos devem ser criados se aprovado o requerimento. Mas eu gostaria, na verdade, que o Brasil estivesse vivendo um processo de diminuição de partidos.”

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Há mais de 70 partidos em formação no Brasil e 32 já registrados. Pelas regras atuais, é necessário um mínimo de 491.967 assinaturas físicas, com conferência pelos servidores da Justiça Eleitoral.

Biometria

Caso o TSE negue a possibilidade da assinatura digital, coletar apoios usando o cadastro biométrico da Justiça Eleitoral é um dos planos B de Bolsonaro. Segundo o TSE, cerca de 75% dos eleitores brasileiros já estão inseridos no sistema de biometria.

MBL

Jerônimo hoje se vê mais distante do MBL do que em 2018 e diz que não tem concordado com articulações recentes do movimento, sem citá-las. Ele argumenta que o partido claramente de direita, “sem radicalismos”, que o MBL procura poderia ser o PP.

Apesar da maioria dos membros do MBL ter sido eleita pelo DEM, o movimento sempre pregou independência partidária. Como os movimentos de renovação política, decidiu não criar seu próprio partido para lançar candidaturas, mas, após um fortalecimento nas eleições de 2018, a possibilidade e necessidade da legenda própria aumentaram. Com menos de um ano de primeiro mandato, o deputado estadual Arthur do Val (SP), o Mamãe Falei, foi expulso do DEM na terça-feira passada.

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