Autor de denúncia em RR se diz ameaçado de morte

O índio José Newton Simão de Lima, que gravou o procurador-Geral de Roraima, Francisco das Chagas Batista, oferecendo R$ 120 mil em troca de votos para reeleger o governador Anchieta Júnior (PSDB), recebeu ameaças de morte por telefone. A ligação foi feita de um orelhão localizado na periferia de Boa Vista. "O homem disse que eu iria me arrepender por ter feito a denúncia contra o governador", afirmou.

LOIDE GOMES, Agência Estado

17 Dezembro 2010 | 19h37

Logo após receber o telefonema, Lima foi à sede da Polícia Federal (PF), mas foi encaminhado à Polícia Civil, onde registrou boletim de ocorrência. Ele disse que teme por sua vida, mas não pretende se esconder.

Lima, de 30 anos e que já foi vereador no município de Pacaraima e tem influência na aldeia Boca da Mata, revelou detalhes da conversa com o procurador. Segundo ele, o encontro ocorreu na casa do motorista de Chagas Batista, no bairro Calunga.

Os equipamentos de escuta foram instalados por policiais federais do setor de inteligência. Os agentes, contou, também forneceram o carro que o levou até o local da reunião e filmaram a entrada e a saída do procurador do imóvel. O superintendente da PF em Roraima, Herbert Gasparini, negou que a instituição tenha feito a escuta.

Segundo a liderança indígena, o pagamento seria realizado com recursos do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e o flagrante só não ocorreu porque a entrega ficou marcada para outra data. Lima se disse surpreso com a falta de investigação oficial sobre o caso. "A Polícia Federal acompanhou toda a conversa. Além disso, protocolei a denúncia no Ministério Público Federal (MPF) no dia 11 de novembro", afirmou.

Processos

O procurador Regional Eleitoral Ângelo Goulart, que ontem informou que só soube do caso pela imprensa, disse hoje que de fato recebeu a denúncia por escrito, mas que à época não teve acesso às gravações. Ele afirmou que assim que recebeu o documento entrou em contato com o coordenador das eleições da PF, Alexandre Ramagem, e que o policial disse que não tinha conhecimento do áudio. "Por conta disso, não fiz a requisição por escrito."

Goulart afirmou que não vai protocolar ações sobre este caso uma vez que o adversário de Anchieta nas urnas, Neudo Campos (PP), ingressou quatro processos pedindo a cassação do governador. "Vou me manifestar no bojo destas ações", informou.

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