Autor da emenda que pune juízes e membros do MP é hostilizado em aeroporto; assista

Autor da emenda que pune juízes e membros do MP é hostilizado em aeroporto; assista

Deputado Weverton Rocha (PDT-MA) quase foi agredido e impedido de embarcar por homem a favor da Lava Jato

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2016 | 11h23

O deputado Weverton Rocha (PDT-MA), líder do partido na Câmara e autor da emenda que prevê crime de responsabilidade para juízes e membros do Ministério Público, foi hostilizado por um simpatizante da Operação Lava Jato nessa quarta-feira, 30, quando embarcava no Aeroporto de Brasília. Durante a manifestação, um homem chegou a espremer um tomate na roupa do parlamentar, segundo mostra vídeo publicado na página do Facebook do movimento "Juntos pelo Brasil".

Weverton foi abordado quando estava prestes a entrar na sala de embarque do aeroporto por um homem que se identifica pelo nome de Ricardo Rocchi. O manifestante, então, questiona o líder do PDT por que o deputado apresentou a emenda e o acusa de ser o causador da promessa de procuradores da Operação Lava Jato de abandonarem a investigação, caso a emenda seja aprovada pelo Senado e sancionada pelo presidente Michel Temer (PMDB).

"Você já leu a nota da Polícia Federal? A PF esclarece que ela é a responsável pela Lava Jato, e a investigação está garantida", rebate Rocchi.

Em determinado momento, Weverton, então, tenta abandonar a conversa, mas o manifestante impede o parlamentar de embarcar. "Você está me impedindo de embarcar", diz o deputado. Neste momento, o homem espreme um tomate na camisa do pedetista, na região próxima ao ombro esquerdo. "Você está me agredindo. Vou embarcar agora, mas o certo era eu lhe entregar aqui, seu moleque", retruca o o parlamentar, em tom bastante irritado.

Um segurança do aeroporto, então, afasta o manifestante, que grita: "A Lava Jato está renunciado por sua culpa. Nós somos a favor da Lava Jato. Vocês não vão renunciar". "Se você está protegendo juiz e promotor bandido no Brasil, o problema é seu", diz Weverton, que embarca. "Moro representa todo este aeroporto", retruca o manifestante, que promete no vídeo repetir protestos contra parlamentares nos aeroportos. "Todos os dias vamos estar aqui".  

A Coluna do Estadão revelou nesta quinta-feira, 1, que Weverton Rocha responde a dois processos, um deles por corrupção, e sua campanha foi financiada por empresa investigada na Lava Jato.

Outro lado. Em seu perfil no Facebook, o líder do PDT cometou os protestos dos quais está sendo alvo no aeroporto e nas redes socais. Ele disse ter ficado surpreso com as reações "desmesuradas e irracionais" da população contra sua emenda. "Qual foi a minha surpresa ao ver reações desmesuradas e irracionais de pessoas que se dizem representantes de movimentos políticos ou que são 'apolíticos', embora na verdade estejam exercendo a pior política, a da intolerância", escreveu.

Weverton disse que, além dos protestos virtuais e no aeroporto, recebeu ameaças a ele a sua família. "Lamentável enquanto amostra de comportamento humano e perigoso enquanto amostra de comportamento político que flerta com o facismo", disse o deputado no Facebook. Para o parlamentar, as manifestações contra ele foram "inflamadas" pelos órgãos de imprensa e "insulfladas pela atitude inconsequente de parte do Ministério Público. O líder do PDT afirmou que representates do MP abandonaram "suas atribuições originais para fazer parte do show tentando impor legislação, pessoas passam a repetir conceitos sem reflexão". "Luz sobre o debate é do que precisamos. Aliás, precisamos de debate. Não de bate-boca, não de opiniões pré-concebidas sem informação real, não de pessoas que falam para o sentimento de uma nação ferida por histórias de corrupção, usando essa fragilidade para impor suas opiniões. O nazismo começou assim", escreveu.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.