Autonomia da PF é assunto sensível na corporação

As recentes trocas de presidentes da República provocaram preocupação com possíveis interferências nas investigações da Lava Jato

Ricardo Brandt, O Estado de S. Paulo

12 de fevereiro de 2017 | 22h48

A autonomia da Polícia Federal sempre foi um assunto sensível para a corporação. Em fevereiro de 2016, quando a então presidente da República, Dilma Rousseff, anunciou a troca de comando no Ministério da Justiça, com a saída de José Eduardo Cardozo e a nomeação de Wellington Cézar – às vésperas da Lava Jato deflagrar sua ofensiva direta contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – delegados em Curitiba interpretaram a mudança como uma interferência direta nas investigações.

Na ocasião, a troca do delegado-geral da PF, Leandro Daiello, era dada como certa pela equipe de investigadores da Lava Jato, em Curitiba. A mudança não aconteceu. O titular da Justiça acabou substituído por Eugênio Aragão, que em maio do ano passado deu lugar a Alexandre de Moraes após o afastamento de Dilma.

A chegada do novo ministro, sob o comando do governo Michel Temer, provocou nova expectativa de mudança no comando da Polícia Federal e preocupação com possíveis interferências nas investigações da Lava Jato. Daiello foi mantido, no entanto, e a equipe de investigação do cartel e desvios na Petrobrás acabou reforçada.

No fim de 2016 dois importantes delegados da Lava Jato, em Curitiba, deixaram a equipe: Eduardo Mauat, que voltou a trabalhar em Porto Alegre (RS), e a delegada Erika Marena, uma das pioneiras na apurações do caso. No mês passado foi a vez do delegado Márcio Anselmo, responsável pela origem da Lava Jato, em Curitiba. Ele havia pedido para deixar a equipe em meados de 2016 e, em janeiro, recebeu convite para assumir a Corregedoria da PF no Espírito Santo.

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