Autodoações somam 57% entre vereadores do País

Candidatos às Câmaras Municipais arrecadaram R$ 200 milhões; País tem mais de 450 mil concorrentes neste ano

Daniel Bramatti e Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2016 | 17h19

Nas disputas pelas Câmaras Municipais, o fenômeno das doações próprias decolou com força ainda maior do que entre os candidatos a prefeito. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgados até sexta-feira mostram que 57% dos R$ 200 milhões já arrecadados pelos mais de 450 mil concorrentes a vereador por todo o País saíram dos seus próprios bolsos.

O salto em comparação com as eleições de 2012, quando ainda se permitiam doações de empresas, é enorme. Os recursos próprios somaram apenas 30% do total arrecadado pelos candidatos aos Legislativos municipais naquele ano. Boa parte desse crescimento se deu no vácuo deixado pelas doações de pessoas jurídicas. Elas representaram cerca de 10% do total doado há quatro anos.

As doações de empresas, porém, provavelmente compuseram também a maior parte dos 20% que vieram dos cofres partidários para os candidatos – em 2012, ainda existiam as chamadas “doações ocultas”, que ocorriam quando uma empresa doava para um diretório ou comitê de um partido, que, por sua vez, repassava esse valor para os políticos sem precisar divulgar quem foi o doador originário.

A influência do dinheiro para o sucesso de uma candidatura a vereador ainda é um assunto pouco estudado na Ciência Política brasileira. A maior parte das pesquisas que tentam relacionar financiamento e resultado eleitorais foca nas eleições majoritárias ou para a Câmara dos Deputados. Entretanto, alguns estudos preliminares mostram que candidatos a vereador que gastaram mais estiveram entre os com maior sucesso em campanhas passadas.

De fato, em 2012, um candidato eleito gastou, em média, R$ 10,5 mil durante a campanha – quase o triplo do que desembolsaram os concorrentes que não se elegeram (R$ 3,5 mil, em média). A proporção é ainda maior quando se analisa a quantia de recursos próprios investida. Os eleitos tiraram do bolso cerca de R$ 3,5 mil, enquanto os que não chegaram lá só usaram, em média, R$ 990 de recursos próprios. / D.B. e R.B.

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