'Ausência do PMDB em posse não é ato simbólico', diz líder do governo no senado

Humberto Costa (PT-PE) minimizou a ausência da cúpula do PMDB na cerimônia de posse do ex-presidente Lula

Isabela Bonfim, Brasília

17 de março de 2016 | 15h05

BRASÍLIA - O líder do governo no Senado, Humberto Costa (PT-PE), minimizou a ausência da cúpula do PMDB na cerimônia de posse do ex-presidente Lula como ministro-chefe da Casa Civil. De acordo com ele, o PMDB tem sido um aliado e vai permanecer na base de apoio.

"Não vejo isso como ato simbólico. Até porque havia senadores e deputados do PMDB lá. Não vejo isso como uma sinalização", disse Humberto. O senador ponderou que muitos não puderam comparecer e argumentou que na Câmara dos Deputados, na mesma hora, se instalava a comissão de impeachment.

A posse não contou com os principais nomes do PMDB, como o vice-presidente, Michel Temer, o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), o líder do partido, Eunício Oliveira (CE) e Romero Jucá (RR). Deputados licenciados, que assumiram ministérios estiveram no Palácio do Planalto.

O grupo, que se reuniu na noite desta quarta-feira na residência oficial do presidente do Senado, Renan Calheiros, concluiu que não era oportuno participar da posse de Lula após a revelação da conversa entre Dilma e Lula, que sugere que a nomeação do ex-presidente teria tido como objetivo evitar que ele viesse a ser investigado na primeira instância pela Operação Lava Jato.

"O PMDB tem sido um aliado importante até o momento e permanecerá como tal. Temos conversado com eles permanentemente e acredito que estarão nesse trabalho de governar o Brasil", disse Humberto.

Na noite de ontem, antes de os grampos das conversas entre Dilma e Lula virem a público, os líderes do PT já haviam agendado uma reunião com Renan Calheiros. Com o agravamento da situação do ex-presidente, a conversa não aconteceu. Líderes afirmaram que não chegaram a conversar ainda.

Segundo interlocutores da cúpula do PMDB, a ausência na posse foi um "voto de desconfiança" ao Executivo. Mas no início da semana, com a possibilidade de Lula assumir o ministério, o grupo estava dividido. Renan, mais próximo de Lula, deu indicações favoráveis à medida.

Cobrança. Após reunião na manhã desta quinta-feira, no gabinete do senador Aécio Neves (PSDB-MG), a oposição decidiu que a estratégia agora será cobrar que o PMDB assuma uma posição.

Segundo o líder do partido, Cássio Cunha Lima (PB), já chegou a hora de o PMDB se manifestar. Ele afirmou que a oposição vai cobrar atitudes do partido, tanto em conversas privadas, como no plenário.

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