Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Ausência de Doria domina debate tucano

Encontro de pré-candidatos ao governo ocorreu à revelia do diretório estadual; prefeito foi convidado, mas não compareceu ao evento

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

12 Março 2018 | 03h00

Mesmo sem ser citado nominalmente, o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), foi alvo de críticas durante o primeiro debate entre pré-candidatos tucanos ao governo do Estado, realizado no sábado. O encontro ocorreu no Rotary Club da Penha, na zona leste da cidade, e contou com a participação do cientista político Luiz Felipe d’Ávila, o suplente de senador e presidente do Instituto Teotônio Vilela, José Aníbal, e o secretário estadual de Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro. Os prefeitos João Doria (SP) e Alberto Mourão (Praia Grande) foram convidados, mas não compareceram. O debate ocorreu à revelia do diretório estadual do partido. 

Na mesa dos pré-candidatos, uma cadeira permaneceu vazia durante parte do evento. Na frente dela, o papel onde seria escrito o nome do convidado permaneceu em branco. Depois, o local foi ocupado pela vereadora tucana Patricia Bezerra.

A primeira manifestação do debate foi de Floriano Pesaro. “Quem chega agora ou se destaca agora precisa respeitar a história do partido”, afirmou, em referência à reunião do diretório estadual, ocorrida na semana passada. Na ocasião, Aníbal foi vaiado e xingado por apoiadores de Doria.

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Naquela reunião, foram definidos as datas das prévias (18 e 25 de março) e o prazo para a inscrição dos nomes dos concorrentes (13 de março). O resultado foi favorável ao grupo que apoia Doria – que defendia a realização das prévias o mais distante possível do prazo final de desincompatibilização do cargo (7 de abril). O prefeito ainda não está inscrito na disputa. 

D’Ávila também fez referência ao que chamou de “lamentável reunião do diretório estadual” e defendeu a importância do apoio dos pré-candidatos à candidatura de Geraldo Alckmin à Presidência da República. Sobre o tema, Pesaro chegou a dizer: “Aqui ninguém nunca pensou em disputar com Geraldo Alckmin” – o que soou como outra referência ao prefeito de São Paulo.

Já a fala de Aníbal evidenciou as divisões do tucanato paulista. O pré-candidato chamou de “indignidade” a convocação do diretório municipal para uma reunião no mesmo horário do debate entre os pré-candidatos. A reunião convocada pelo diretório municipal tinha como objetivo debater as regras das prévias. “Essa reunião foi feita para esvaziar o nosso debate. O partido está se recusando a fazer os debates e a direção estadual está agindo de forma opressora”, afirmou Aníbal.

O debate de sábado ocorreria no diretório do Butantã, mas foi desmarcado na sexta-feira. Oficialmente, a presidente do diretório, Beatriz Botelho, disse que o cancelamento foi ocasionado por uma questão de falta de espaço. “Nossa ideia inicial era que cada candidato falasse separadamente. Nosso espaço não comportaria um debate”, afirmou a dirigente. Nos bastidores, no entanto, militantes tucanos dizem que o cancelamento foi fruto de pressão direta de Doria e seus apoiadores.

Sobre a não participação de pré-candidatos no debate, Aníbal afirmou: “Dizem que eu fustigo adversário fujão. O sujeito que disputa, mas se recusa ao debate, é porque não responde sobre os compromissos de sua campanha que não conseguiu saldar. O trabalho da Prefeitura é de segunda a domingo, não é só de marketing”.

No fim do debate, Aníbal, mais uma vez, provocou Doria, sem citá-lo nominalmente. “A Prefeitura inteira quer ver esse prefeito pelas costas, mas para isso o incensam, o estimulam”. declarou o presidente do Instituto Teotônio Vilela. 

‘Oba-oba’

Após o debate, os três pré-candidatos negaram qualquer combinação de não citar o nome de Doria durante o encontro. D’Ávila foi o mais enfático. “Quem foge do debate não precisa ser mencionado.”

Os três também afirmaram que devem continuar pré-candidatos caso o prefeito confirme a intenção de concorrer. Pesaro considerou que uma oficialização da candidatura Doria pode ser positiva para o debate interno do PSDB. Para Aníbal, porém, a entrada do prefeito na disputa é apenas um “oba-oba”. 

Procurada, a assessoria de imprensa do prefeito afirmou que Doria cumpriu três agendas no sábado, mas não quis comentar sobre a ausência dele no debate. Oficialmente, o prefeito ainda não é pré-candidato.

Hoje, Aníbal, Pesaro e D’Ávila vão participar de um novo encontro. O encontro será realizado no câmpus da Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul) de São Miguel, às 19 horas. A ideia dos pré-candidatos é promover um debate por dia até a realização das prévias no partido.

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