Aumento na segurança marca festa de Ano Novo no Rio

Além da queima de fogos em Copacabana, logomarca das Olimpíadas foi apresentada ao público.

Júlia Dias Carneiro, BBC

01 de janeiro de 2011 | 09h21

Cerca de 2 milhões de pessoas eram esperadas na festa em Copacabana

O Rio comemorou a virada para 2011 em clima de otimismo após um ano marcado por avanços na política de segurança e com o lançamento da logomarca da Olimpíada de 2016 durante o réveillon de Copacabana.

Moradores e turistas ouvidos pela BBC Brasil durante a festa, que reuniu cerca de dois milhões de pessoas na praia, falaram em um "aumento na autoestima do carioca" devido a ações do poder público e à atenção que os grandes eventos esportivos dos próximos anos estão trazendo para a cidade.

"A sensação é que o poder público está mais presente e as pessoas estão mais otimistas", disse Horácio Magalhães, presidente da Associação de Moradores de Copacabana.

"As ações exitosas do governo são importantes para aumentar a autoestima do carioca. Passamos muito tempo sem acreditar no poder público e voltamos a acreditar. Agora tem que continuar assim", afirmou ele, no meio de um bloco de carnaval de rua que desfilava ao som de marchinhas pouco antes da virada.

Em 2010, a política de ocupação de favelas dominadas por traficantes teve avanços importantes com a entrada de forças de segurança na Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão, territórios que, segundo a Polícia Militar, eram considerados "inexpugnáveis" pelo tráfico.

Paralelamente à queima de fogos em Copacabana, a igreja da Penha, no alto de um morro ao lado das favelas do Alemão e da Vila Cruzeiro, também teve show pirotécnico. Na festa realizada para moradores da região, um letreiro luminoso pedia: "Paz em 2011 e para sempre".

Este foi o primeiro réveillon celebrado em Copacabana com Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) instaladas em todas as favelas próximas à praia. O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, acompanhou a queima de fogos do terraço da UPP do Morro da Babilônia, no Leme.

Moradora de Copacabana, a secretária aposentada Cenita Kac, de 75 anos, disse que a vida em sua rua "melhorou 99%" depois que uma UPP foi instalada da favela mais próxima, o Pavão-Pavãozinho, no fim de 2009.

"Agora à gente pode sair na rua à vontade", disse. "Acho que tem razão para o otimismo. Só a inflação é que não melhorou, as coisas estão caríssimas e o salário do aposentado está lá embaixo..."

Olimpíada

Logomarca da Olimpíada do Rio foi lançada durante festa do Ano Novo

Para o aeroviário Lician Mello, que veio de São Paulo com a família para passar o ano novo em Copacabana, "este é o momento da grande virada" para o Rio.

"A recuperação é a olhos vistos. A cidade está recebendo muitos investimentos, principalmente na área de petróleo e energia, e tem tudo para voltar a ser o que era anos atrás", disse enquanto esperava a queima de fogos. "A Copa e as Olimpíadas colocam o Rio muito em evidência e muitos estrangeiros estão vindo investir."

Duas horas antes da virada, a logomarca dos Jogos Olímpicos de 2016 foi revelada ao público de Copacabana, projetada em três telões e estampada em uma grande bandeira que foi estendida sobre a multidão.

Na logomarca, três figuras de mãos dadas dançam como numa ciranda, lembrando o célebre quadro "A Dança", de Henri Matisse. O contorno do desenho tem a forma do Pão de Açúcar.

Para o economista Eduardo Valente, morador de Copacabana, a vinda da Copa e da Olimpíada aumentou a autoestima do carioca. "O Rio está se firmando cada vez mais como organizador de grandes eventos para mais de um milhão de pessoas sem nenhuma confusão, como o réveillon e o show dos Rolling Stones na praia", lembrou.

A turista belga Nathalie Degreve, que veio à cidade pela primeira vez para passar o Ano Novo com a família, aproveitou para conhecer uma das favelas pacificadas com um guia turístico. Foi com os dois filhos e a sobrinha à comunidade Santa Marta, em Botafogo.

"Meu filho jogou futebol com as crianças de lá e adorou", contou a consultora.

Hospedada no mesmo hotel que o presidente do Comitê Olímpico Internacional, o conterrâneo Jacques Rogge, Nathalie disse que sua primeira impressão é que há muitos desafios na área de infraestrutura - principalmente nos transportes.

"Ficamos presos em muitos engarrafamentos ficamos impressionados ao ver que o aeroporto (o Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim) só tem transporte por ônibus ou táxi, somente por estradas. Não há previsão de um trem nem de metrô para a Olimpíada."

Para um europeu, diz ela, isso é impensável. "Dá para perceber que é o Rio está florescendo, mas a sensação é que a infraestrutura não está acompanhando."BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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