Aumento entra na pauta só após discussão, avisa Chinaglia

Surpreendido com a aprovação da proposta de reajuste de 26,49% nos salários do Legislativo e do Executivo, o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP), iniciou uma cruzada para desvincular sua imagem da nova tentativa de os parlamentares elevarem seus ganhos mensais. Para tanto, o petista já avisou que a proposta só entra em votação depois de discutida pelos líderes partidários, na próxima semana. A primeira reunião está marcada para terça-feira, 27."A decisão será do plenário", avisou o deputado, que não deu previsão de quando a proposta de aumento nos salários dos deputados, do presidente da República e, por conseqüência, dos ministros de Estado, será votada na Câmara. O primeiro passo para o aumento foi a aprovação de um projeto do deputado Virgílio Guimarães, na Comissão de Finanças e Tributação da Casa. Caso ratificada no plenário, a proposta também precisa passar pelo Senado.As relações com a oposição não são das melhores e muitos parlamentares da base não gostam da idéia do aumento. Também não teve boa repercussão a decisão tomada no âmbito da Comissão de Finanças e Tributação. Para muitos parlamentares, a discussão deveria ter começado pela Mesa. O próprio Chinaglia foi surpreendido com o projeto. "(Virgílio) não me deu detalhes, disse que iria tratar disso (reajuste) na comissão", relatou o presidente da Câmara.Impacto milionárioCaso o Congresso aprove realmente o reajuste de 26,49%, o governo poderá, no futuro, propor uma correção salarial para os cargos em comissão de natureza especial (NES) e para os de direção e assessoramento superior (DAS). Esse ajuste pode custar R$ 765 milhões além do R$ 1 milhão que o Executivo vai gastar com o aumento proposto para o presidente e os ministros. Só o aumento dos deputados e senadores custará cerca de R$ 84 milhões. O debate no Congresso sobre essa nova despesa ganhou fôlego exatamente um dia depois de o governo anunciar o contingenciamento de verbas do Orçamento. O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), afirmou, contudo, que o bloqueio de recursos não afetará o aumento dos parlamentares. ?A reposição das perdas da inflação já era para ter acontecido no fim da legislatura passada. Portanto, eu avalio que há previsão orçamentária?, argumentou Chinaglia.Na campanha pela presidência da Casa, Chinaglia inicialmente usou o reajuste como plataforma eleitoral e manifestou-se favoravelmente. Com a repercussão negativa, alinhou-se aos moderados, que consideraram inconveniente qualquer aumento, mesmo de recomposição da inflação. Na semana passada, foi além, dizendo que o assunto nem sequer estava em discussão. Agora, só colocará em votação após discussão com os líderes.

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