Aumento do preço do cigarro incentiva contrabando, diz sindicato

O presidente do Sindicato da Indústria do Fumo, Cláudio Henn, disse acreditar que o aumento dos impostos sobre o cigarro - e conseqüentemente de seu preço final - não inibe o consumo e ainda incentiva o contrabando. "Foi o que aconteceu na Inglaterra. Quando o preço aumentou lá, a venda do cigarro legal diminuiu e a do contrabandeado cresceu", afirmou.As declarações de Henn foram feitas após a adesão do Brasil à Convenção Internacional de Controle do Tabaco, concretizada hoje na sede da Organização Mundial da Saúde (OMS). Com a adesão do País, o governo se compromete a tomar medidas como o aumento do preço do cigarro, o combate ao contrabando e o controle da venda e publicidade do produto.Segundo Henn, o consumo de cigarros no Brasil estabilizou-se em 150 bilhões de unidades por ano, sendo 46 bilhões (quase um terço) ilegais. Ele reconheceu que o preço do cigarro brasileiro é inferior ao cobrado na Europa e nos Estados Unidos. "Mas também o nosso poder aquisitivo é menor", justificou. "Quanto ao imposto, o nosso fica em torno de 70% do preço final, acima do que os americanos cobram e na mesma proporção dos europeus."Henn negou também que o Brasil incentive a produção de fumo mais que outros países. "Aqui, os 160 mil pequenos produtores do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, só têm como incentivo o empréstimo obrigatório dos bancos, ou seja, eles concorrem com outros produtores pelos 20% dos depósitos à vista que os bancos são obrigados a emprestar a agricultores, com juros de 8,75% ao ano", explicou. "Na Europa, o subsídio à plantação e indústria de fumo chega a 1 bilhão de euros (cerca de R$ 3,3 bilhões)."

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