Aumento do mínimo compromete área social, diz Palocci

O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, disse aos senadores da base aliada que o eventual aumento do salário mínimo agora implica comprometimento dos programas sociais. Ele disse que o governo dispõe de R$ 11 bilhões para a área social e que não seria "recomendével" deixar de atendar às famílias mais pobres que dependem dos projetos. Os argumentos do ministro não convenceram, por exemplo, o senador Flávio Arns (PT-PR), que deixou a reunião. "Mantenho o meu voto", afirmou Arns, acrescentando ser favorável ao mínimo de R$ 275,00. Segundo ele, o ministro manteve o argumento já conhecido de que o aumento agora causaria desequilíbrio fiscal e orçamentário. O senador Garibaldi Alves (PMDB-RN) propôs que o governo já separasse no orçamento de 2005, com previsão na Lei de Diretrizes orçamentárias (LDO), uma reserva financeira específica para o salário mínimo, tendo como base o aumento do PIB. "Acho que esse pode ser o caminho. Vou conversar com o presidente Lula", teria respondido Palocci, conforme relato de Garibaldi Alves. Dos senadores do PT, que votam contra os R$ 260,00, apenas a senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) se pronunciou até agora. Ela disse ao ministro que muitas pessoas afirmam que se o governo Lula não der certo pode haver uma revolução armada. Um comentário que causou espanto aos senadores.Responsabilidade fiscalJá o senador Romero Jucá (PMDB-RR) afirmou que é importante uma política de recuperação do valor do salário mínimo. Jucá disse, no entanto, que tem de haver uma resposta ao anseio da sociedade, mas com responsabilidade fiscal. O senador Ney Suassuna (PMDB-PB), que também participou da reunião, relatou que, nela, Palocci disse que aumentar em R$ 15,00 o valor do mínimo desorganiza a estrutura do governo, do ponto de vista orçamentário.Suassuna prevê que o governo sairá vencedor na votação da medida provisória que fixou em R$ 260,00 a partir de 1º de maio, mas por uma pequena margem, de 3 a 5 votos. A reunião com Palocci prossegue, numa sala de reunião de comissão, na Ala Nilo Coelho.

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