Aumento de imposto causa forte reação política

É muito forte a reação política ao anúncio de aumento de0,6 pontos porcentuais na contribuição patronal para a Previdência(hoje, de 20%, passaria para 20,6%), a forma como o governo encontroupara pagar os cerca de R$ 12,3 bilhões relativos à correção deaposentadorias desde 1994 pelo Índice de Reajuste do Salário Mínimo.(IRSM)."A Câmara dos Deputados não ficará confortável votando isso",diz o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), tido como um dosresponsáveis pela aprovação de projetos fundamentais para o governo,como o aumento do salário mínimo de R$ 240 para R$ 260. "O aumento deimpostos é um erro político. O anúncio intempestivo do aumento da cargatributária não é bom. E tratar esse assunto por medida provisória éruim".O presidente da Câmara lembra ao governo que o Congresso debateatualmente a segunda parte das reformas da Previdência e tributária.Portanto, esse assunto deveria ser tratado ali, e não por medidaprovisória. O anúncio do acordo e do aumento da carga sobre a folha depagamentos das emrpesas, por dez anos, foi feito pelo ministro daPrevidência, Amir Lando, na última sexta-feira. Lando informou aindaque o acordo para o pagamento das diferenças devidas aos aposentadosserá anunciada na próxima quarta-feira, pelo presidente Luiz InácioLula da Silva. O setor empresarial reagiu negativamente à proposta.João Paulo concorda com a reclamação dos empresários. "Todos osindicadores são positivos. Há aumento do crescimento econômico, doemprego formal, da auto-estima das pessoas. Há tranqüilidade políticapara estabelecer acordos".Para compensar o aumento da contribuição prevideciária na folha depagamentos, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, anunciou que ogoverno pensa desonerar a folha dos empresários. Para João Paulo, se ogoverno quiser isso, não haverá problema algum, porque a proposta jáestá muito avançada na Câmara dos Deputados.O presidente da Comissão de Orçamento, Paulo Bernardo (PT-PR), é outroque avalia que simplesmente aumentar a contribuição previdenciária dasempresas para bancar os bilhões de atrasados devidos será "umproblema", e não uma solução. Embora reconheça que o governo tem umaconta para pagar e precisa ter de onde tirar recursos, o deputadoacredita que os próprios aliados do governo reagirão mal à proposta eque não será fácil aprovar uma MP neste sentido. "O governo estádevendo algumas medidas importantes na área tributária e terá deincluir medidas populares nesse pacote impopular para facilitar anegociação com o Congresso", sugere Paulo Bernardo.No PSDB, a reação também é forte. Em nome dos tucanos, o presidente daComissão de Seguridade Social, Eduardo Paes (PSDB-RJ), lembra que, hádois meses, ao ser cobrado sobre a intenção de aumentar a contribuiçãoprevidenciária sobre a folha patronal, Amir Lando disse que tudo era"invenção da imprensa". "Estão querendo mexer justamente na questãomais grave, a carga tributária em cima da folha de pagamentos, o quevai gerar desemprego". Paes concorda com João Paulo sobre a procura desaídas diferentes da anunciada. Propõe até a devolução da CPMF paraquem empregar mais.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.