Aumenta risco de alta da Selic em março

Sérgio Vale, da MB Associados, acredita que o BC não irá esperar pela deterioração das expectativas para agir

Luciana Xavier e Lucinda Pinto, SÃO PAULO

02 de fevereiro de 2008 | 14h32

SÃO PAULO - O economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, disse que a ata da reunião de janeiro do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) deixou claro que "o balanço de incertezas aumentou" e que há risco de a Selic subir já em março, dos atuais 11,25%. "A ata sinaliza que a inflação ainda é problema no primeiro trimestre", comentou, em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo.

Para Vale, em algum momento no primeiro semestre a inflação poderá bater em 5% no acumulado em 12 meses. "A deterioração das expectativas é algo preocupante", avaliou. O economista acredita, no entanto, que antes de isso acontecer, o Copom poderá subir os juros. "Esse BC não espera a inflação bater em 5% para agir. Esse BC tenta antecipar-se à deterioração (das expectativas)", ressaltou. "A ata traz o risco maior de alta (do juro)."

Segundo ele, uma amostra de que o BC se antecipa à piora das expectativas foi a pausa nos cortes de juros em outubro do ano passado. "Manter a Selic em 11,25% foi condizente com o cenário de inflação", frisou.

O economista disse que poderá rever sua projeção de Selic estável em 11,25% até o final do ano após os resultados de inflação desses dois primeiros meses do ano. O mesmo ocorre com a estimativa de IPCA em 4,5%, que está com viés de alta. Para o PIB, a projeção está em crescimento de 4,7%.

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