Aumenta pressão e senadores pedem a 'cabeça' de Renan

Presidente do Senado aparece visivelmente irritado e quase travou bate-boca com Mercadante

Agencia Estado

09 de outubro de 2007 | 17h58

Aumenta pressão para que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), deixe a presidência da Casa. Vários senadores foram enfáticos nos discursos em plenário nesta terça-feira, 9, sobre a impossibilidade de Renan continuar no cargo após as recentes denúncias de espionagem para intimidar adversários políticos e a "caça às bruxas", promovida pelo senador que tirou da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) dois de seus desafetos: Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Pedro Simon (PMDB-RS).   Veja Também:Da tribuna, Renan culpa 'mau jornalismo' por denúncias Renan afasta funcionário acusado de espionar senadores adversáriosCronologia do caso  Entenda os processos contra Renan Assessor de Renan nega esquema espionagem contra senadoresSuposta espionagem contra senadores reduz apoio a Renan  Falando "em nome do Senado", o gaúcho Simon fez apelo a Renan. Segundo Simon, Renan "terá muito mais chance de ser absolvido licenciado do que permanecendo no cargo" e acrescentando também que seria um "ato de grandeza e heroísmo". Renan permaneceu impassível e ao responder ao apelo afirmou: "Já estou encerrando o meu tempo e não vou conceder aparte para não fazer disso um debate." Visivelmente irritado, Renan deixou a sessão no meio do discurso do líder do DEM, senador José Agripino (RN), às 18h32, pedindo o seu afastamento.  O senador Aloizio Mercadante pediu a palavra para dizer que a situação de Renan é institucionalmente inaceitável e quase travaram um bate-boca. Renan saiu da tribuna e deixou Mercadante falando sozinho. Em seguida, a líder do PT, Ideli Salvatti, reforçou o pedido de afastamento de Renan e disse que neste momento não adianta "tapar o sol com a peneira", pois o sentimento geral é que Renan fique fora do cargo.  O senador petista Eduardo Suplicy também defendeu a saída de Renan da presidência, assim como o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio. Para o tucano, a saída de Renan é indispensável para o 'funcionamento da Casa'. "Estou indisposto com a idéia do senhor na presidência da Casa. Chegamos a um ponto que não podemos mais ir além".  O senador Jefferson Péres também ocupou a tribuna do Senado nesta terça-feira, 9, para mais uma vez pedir a saída de Renan Calheiros (PMDB-AL) da presidência da Casa. Péres foi direto ao ponto e resumiu seu pedido em uma única frase: "Renan não tem mais condições de presidir o Senado Federal", e deixou a tribuna. A expectativa é que vários senadores - da base e da oposição - façam discursos contra Renan na tarde desta terça. O senador Álvaro dias (PSDB-PR), olhando para Renan, afirmou: "Não é mais direito de Vossa Excelência permanecer na presidência. Não há mais condições políticas. A instituição está afrontada, vilipendiada, mal vista pela opinião pública. Volte à tribuna, à planície, para se defender". 'Não recuo' Mesmo diante da pressão de cinco partidos para que se afaste da presidência, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), manteve-se irredutível. "Eu não recuo. Não tenho o direito de recuar. Vou até o limite das minhas forças para defender minha honra", disse.  Defendendo-se da acusação de espionagem para intimidar adversários, Renan negou que tenha feito "atrocidades" contra senadores. E anunciou a abertura de uma sindicância para apurar denúncias contra o ex-senador Francisco Escórcio, funcionário de seu gabinete.  Escórcio, conhecido como Chiquinho, é acusado de operar supostas investigações sobre hábitos dos senadores Demostenes Torres (DEM-GO) e Marconi Perillo (PSDB-GO). Renan disse ainda que determinou o seu afastamento até a conclusão das investigações.  Renan diz que ligou para Demóstenes, Perillo e Agripino para afirmar que a denúncia é mentira. "Repito, é mentira. Não pedi, não ordenei, não autorizei nenhuma atrocidade como essa. Mas a imprensa minimiza o desmentido e amplia a calúnia de forma torpe e irresponsável. É denuncismo sem prova e agora sem autor", disse. Em aparte, Perillo questionou Renan por não ter demitido sumariamente o funcionário de seu gabinete acusado de espionagem. "Peço providências duríssimas." Em resposta, Renan afirmou que está fazendo o que lhe compete fazer e que não vai prejulgar (o funcionário) como está sendo prejulgado.  (Com Cida Fontes, do Estadão) Texto atualizado às 18h33

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