Aumenta pressão da oposição contra Palocci no Senado

Participação de Lula nas discussões sobre o caso e revelação de nomes de clientes reforçam necessidade de ministro dar explicações à Casa, dizem senadores

Rosa Costa, da Agência Estado

26 de maio de 2011 | 20h09

BRASÍLIA - A revelação de que o Banco Santander contratou os serviços da Projeto, consultoria do ministro Antonio Palocci, aumentou a pressão de parlamentares da oposição sobre o ministro-chefe da Casa Civil. O presidente do DEM, senador José Agripino (RN), afirmou nesta quinta-feira, 26, que a resistência do ministro em comparecer ao Congresso para se explicar só aumentam as dúvidas quanto aos procedimentos que resultaram na multiplicação de seu patrimônio em mais de 20 vezes, em quatro anos.

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"É esse tipo de suspeita que determina a absoluta, a imperiosa necessidade de Palocci vir se explicar para sabermos se estamos diante de coisas licitas ou ilícitas", alega. O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) entende que a comprovação de mais um cliente, como revelou nesta quinta o jornal O Estado de S. Paulo, torna "insustentável" a situação do ministro, cuja permanência no governo, na sua opinião, além de "enfraquecer" a presidente Dilma Rousseff, deu um tom de final de mandato à sua gestão.

"O governo está paralisado, se fosse no final ainda se entenderia. Mas Lula assumiu de fato a administração e a situação de Dilma só se complica, ficando refém da chantagem de seus aliados", afirma Jarbas. O senador vê Palocci como um político "que tem atração por coisas enroladas". "É uma atração que vem lá de trás", aponta, lembrando sua ligação com o grupo de Ribeirão Preto.

Como Agripino, o senador reitera que o ministro-chefe da Casa Civil não pode continuar sem dar explicações concretas ao Congresso sobre o seu enriquecimento. "Sua consultoria tem ligação direta com o governo, é uma arrumação, uma ligação aberta, a situação dele continua insustentável, mas a teimosia leva o PT a tentar blindá-lo". Para Jarbas, a ligação do ministro com o banco "é uma denúncia junto a outras igualmente graves que não foram esclarecidas".

Já o presidente dos Democratas lembra que Palocci resiste a divulgar o nome de seus clientes e sobre os serviços pelos quais teria recebido pagamento. "É esse tipo de denúncia, sua ligação com uma empresa parceira do governo, que reforçam as suspeitas contra Palocci e ele se recusa a dar esclarecimentos". Agripino afirma que, mesmo não querendo fazer juízo de valor, o ministro deixa rastro para "inúmeras ilações".

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