Aumenta número de senegaleses na fronteira do Acre

Grupo de 70 pessoas aguarda visto de entrada no Brasil e se junta a haitianos em abrigo que já soma 1.300 imigrantes

10 Abril 2013 | 14h52

Aumentou para 70 o número de cidadãos do Senegal, na África, que estão em Brasileia, cidade no Acre, na fronteira do Peru com o Brasil, aguardando visto de entrada no País. O grupo de africanos se juntou aos centenas de haitianos que aguardam documentos de imigração em um abrigo que já tem 1.300, entre eles 150 mulheres. A informação é do secretário dos Direitos Humanos do Acre, Nilson Mourão.

 

"Recebemos a informação de um reforço da equipe de imigração, que pretende aumentar de 30 para 100 o número de pessoas atendidas pela Polícia Federal por dia lá", disse Mourão na manhã desta quarta-feira, 10. Com isso, o secretário espera que o fluxo de atendimento reduza a pressão no abrigo e que o drama dos imigrantes seja amenizado nos próximos dias. A situação na fronteira do Acre se agravou nos últimos dois anos depois do terremoto que destruiu o Haiti em janeiro de 2010 e cidadãos haitianos em fuga começaram a chegar em busca de oportunidades de vida no Brasil usando o caminho do Acre.

 

"Precisamos que o governo central nos ajude a encontrar uma solução para esse problema", pediu o secretário dos Direitos Humanos do Estado. Ele alega que a região está se transformando em uma rota internacional de tráfico de pessoas justamente na fronteira com dois países produtores da coca, matéria prima de drogas. "Estão ocupando um espaço existente nas fronteiras abertas", justificou Mourão. "O que está ocorrendo aqui não é um movimento migratório espontâneo", afirmou. "Trata-se de grupos organizados, coiotes, que enviam essas pessoas", declarou.

 

Mourão afirmou ainda que os grupos mais recentes de africanos estão fazendo uma rota que passa pelo Marrocos e Espanha, de onde seguem para o Equador, onde se juntam aos haitianos para chegar ao Acre pelo Peru. De acordo com o secretário, a situação no abrigo brasileiro é grave. "Não há condições humanitárias de permanência no local", afirmou.

 

 

 

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