Aumenta acesso de negros ao ensino, diz UFRJ

Avanço foi maior no fundamental. Mas diferença continua grande nos níveis médio e superior

Fabiana Cimieri, RIO, O Estadao de S.Paulo

03 de janeiro de 2008 | 00h00

A desigualdade na educação entre negros e brancos diminuiu ao longo dos últimos dez anos e hoje o acesso dos dois grupos ao ensino fundamental é praticamente igual. Apesar disso ainda persiste um fosso entre eles nos níveis médio e superior. Para atingir o nível de escolaridade atual dos brancos, os negros brasileiros ainda demorariam 17 anos.Essa é uma das principais conclusões de um estudo sobre o tema que acaba de ser realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Eles verificaram que 2006, de cada dez negros com idade para freqüentar o ensino médio (entre 15 e 17 anos), seis não o faziam; entre os jovens brancos a média era de quatro entre dez.No ensino superior, a desigualdade também foi significativa, segundo o levantamento da UFRJ: a porcentagem da população branca entre 18 e 24 anos cursando escolas de nível superior era de 30,7%; a de negros era de 12,1%.O estudo faz parte do 1º Relatório das Desigualdades Raciais no Brasil, do Laboratório de Análises Econômicas, Sociais e Estatísticas das Relações Raciais (Laeser). A partir da análise de indicadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no período de 1995 a 2006, eles constataram uma nítida redução das desigualdades no período, especialmente no governo de Fernando Henrique Cardoso."Houve uma redução grande da desigualdade nos anos dos governos FHC, mas esse ritmo diminuiu no governo Lula", disse o economista Marcelo Paixão, coordenador do estudo.Ele destacou os avanços na cobertura do ensino fundamental. Na faixa entre 7 e 14 anos, quase não há mais diferença entre brancos e negros: 98,8% das crianças brancas e 97,7% das negras estavam na escola em 2006. Em 1995 o porcentual era de 94,6% e 88,2%, respectivamente."Os negros são maioria nas escolas públicas, mas têm que pagar uma universidade privada se quiserem continuar os estudos e se formar", contou Paixão. "Os brancos pagam escolas privadas no ensino fundamental e médio e conseguem a maior parte das vagas das universidades públicas, o que é muito desigual."

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