Auditores listam irregularidades

Os auditores do Ministério do Trabalho acusam os irmãos Amaro e Jorge Fernandes de calcular erroneamente a produção diária de cada trabalhador, além de tê-los arregimentado de forma irregular e cobrar pelo material para o corte da cana. As contas eram feitas em um papel de bloco pequeno, onde anotavam o número do empregado, a quantidade de metros lineares de cana cortada, o preço do metro linear e o valor a ser pago. Segundo os auditores, o trabalhador começava a ser roubado na medição da produção, pois o "compasso que deveria ter dois metros media 2,2 metros, roubando 10% do trabalho executado". Na tabela dos "gatos", uma garrafa térmica para levar água custava R$ 20, uma botina podia chegar a R$ 45, a caneleira saía R$ 18 e uma lima para afiar o facão, R$ 4. Estes produtos deveriam ser doados ao trabalhador. O aluguel das casas que servem de moradia, também obrigação dos empregadores, era dividido pelo número de pessoas ali abrigadas. Havia casa com 15 operários. Também cobravam o gás a preço mais alto. Pelos cálculos dos auditores, Rogério dos Santos Pereira, de Santo Amaro (BA), de 22 anos, foi um dos que mais conseguiram receber cortando cana: cerca de R$ 2 mil. Mas teve descontos indevidos que somaram mais de R$ 560. Ontem, ele estava com as mãos inchadas, prova do esforço excessivo no campo. Os auditores e o procurador Jorsinei Nascimento iniciaram ontem a tentativa de fazer com que a Usina Paineiras, cuja direção negou ter sido beneficiada com a contratação de mão de obra irregular, assuma as indenizações trabalhistas, assim como as despesas de hospedagem e o retorno dos trabalhadores aos seus Estados. Em caso contrário, acionarão a Justiça. M.A.

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