Auditores criam associação para fiscalizar setor público

Objetivo é promover controle das prefeituras pelos próprios cidadãos

Alexandre Rodrigues, RIO, O Estadao de S.Paulo

19 de novembro de 2007 | 00h00

Convencidos de que só a participação popular na fiscalização dos gastos públicos pode conter a corrupção, profissionais de auditoria do setor público estão se lançando num trabalho voluntário para difundir a idéia do controle dos governos municipais pelos próprios cidadãos. Organizados no Instituto de Fiscalização e Controle (IFC), auditores e analistas de controle de instituições como o Tribunal de Contas da União (TCU), Caixa Econômica Federal (CEF), Sistema Único de Saúde (SUS) e Controladoria-Geral da União (CGU) dedicam horas de folga ao intercâmbio com líderes regionais e trocam a burocracia das repartições por visitas a municípios em todas as regiões na chamada Caravana Todos Contra a Corrupção.Nas visitas de dois a três dias, profissionais como Henrique Ziller, analista de controle externo do TCU, transmitem parte de sua experiência na área de fiscalização a cidadãos que querem acompanhar de perto o que fazem os governantes locais com seus impostos. Ziller preside o IFC, instituição criada pelos voluntários para estimular a criação de ONGs de acompanhamento social nas cidades ou dar assistência às que já existem. A iniciativa foi inspirada na experiência da ONG Amigos Associados de Ribeirão Bonito (Amarribo), que, ao organizar moradores na cidade do interior paulista em 1999, conseguiu afastar do cargo um prefeito sob a acusação de improbidade administrativa.O êxito da Amarribo gerou uma rede de ONGs similares que já alcança 144 cidades em todo o País. Foi uma palestra de Lizete Verillo, diretora de combate à corrupção da Amarribo, que deu a Ziller a certeza de que o controle efetivo do que se gasta no País não está na pilha de relatórios que povoam salas de órgãos como o TCU, mas no engajamento dos cidadãos. "O cidadão pode pressionar mais o poder local. Está ali perto, vê o que acontece. Ele pode levantar suspeitas e nós o ajudamos a encontrar os caminhos", afirma Ziller.Além de promover audiências públicas, os voluntários visitam o prefeito e vereadores das cidades por onde passam, dando visibilidade e legitimidade para as ONGs locais. Além disso, fazem a ponte entre os líderes comunitários e órgãos que podem dar conseqüência às informações reunidas pelos cidadãos, como o Ministério Público, a Polícia Federal, a CGU e o TCU.As visitas são o principal instrumento do projeto Adote um Município, criado pelo IFC para dar uma espécie de assistência técnica às ONGs. A analista de controle externo do TCU no Rio, Michelle Glória, embarcou com os colegas para a 32° caravana do IFC no interior paulista, em agosto. Para isso, reservou três dias de suas férias para a missão. Ficou tão entusiasmada com o que viu em Mirandópolis que resolveu se tornar a madrinha da ONG local."Fiquei impressionada com a capacidade da caravana de estimular os moradores", diz Michelle, que tem orientado a Organização de Defesa da Cidadania de Mirandópolis (Ordem), sobre como encaminhar dados de investigações da ONG. "A caravana nos deu mais força. Uma coisa é lutar sozinho, outra é com a ajuda de um grupo de auditores", comemora Luiz Oscar Ribeiro, que dirige a ONG.

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