Jane de Araújo/Agência Senado
Jane de Araújo/Agência Senado

Atuação política não é motivo para discriminação, diz Moraes

Indicado ao Supremo faz corpo a corpo em gabinete do senador Aécio Neves para viabilizar seu nome em sabatina no Senado

Erich Decat e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2017 | 15h26

BRASÍLIA - O ministro licenciado da Justiça, Alexandre de Moraes, indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF), se reuniu na tarde desta quarta-feira, 8, com integrantes da bancada do PSDB no Senado, no gabinete do senador Aécio Neves (MG). Na ocasião, ele rebateu críticas que têm recebido em relação ao seu perfil para ocupar uma vaga no Supremo, dizendo que "não se pode discriminar o fato de (um indicado) ter atividade jurídica e ter atividade política".

Após a conversa, Aécio fez considerações semelhantes às de Moraes em entrevista concedida à imprensa. "Se nós formos fazer uma análise histórica, mais de 30% dos ministros do Supremo Tribunal, nos 20 anos, tinha filiação partidária ou serviram a governos antes de ir ao Supremo. Não é demérito algum. Eles participaram da vida democrática de seu país ou em partidos políticos ou servindo aos governos", ressaltou Aécio. Moraes deu início nesta quarta ao corpo a corpo com integrantes da cúpula do Senado em busca de apoio para o seu nome.

O senador lembrou ainda que, após ser indicado pelo presidente Michel Temer para a vaga deixada por Teori Zavascki, morto em acidente aéreo em janeiro, Alexandre de Moraes se desfilou nessa terça, 7, do PSDB, partido ao qual ingressou em 2015.

O tucano mencionou o histórico do ministro Celso de Mello, decano da Corte. "Ele assessorou diretamente o presidente José Sarney até o momento da sua indicação. Isso faz dele um ministro menor naquela corte? Pelo contrário. Servir ao governo é participar da vida democrática. Isso deve ser louvado. Não podemos cair na cantilena oposicionista, que desconsidera o passado de indicações do próprio PT para fazer esse tipo de acusações", disse.

Para ter o nome confirmado para a cadeira do STF deixada por Teori Zavascki, morto em acidente aéreo, Moraes deverá passar inicialmente por sabatina e votação na Comissão de Constituição e Justiça.

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