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Dida Sampaio/Estadão; Gabriela Biló/Estadão e Werther Santana/Estadão
Dida Sampaio/Estadão; Gabriela Biló/Estadão e Werther Santana/Estadão

Atos pró e contra Bolsonaro pressionam partidos a retomar diálogo por alternativa de centro

Após polarização ganhar as ruas, dirigentes aceitam discutir eventual aliança; conversas já não consideram ‘outsiders’; apresentador Luciano Huck anunciou que renovou com a TV Globo e não vai entrar na corrida eleitoral do ano que vem

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2021 | 05h00

Dirigentes de partidos do centro decidiram retomar as conversas sobre uma eventual aliança na disputa presidencial do ano que vem após a polarização entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ganhar as ruas em recentes manifestações pelo País. Pela primeira vez desde o início da pandemia, dirigentes partidários vão se reunir nesta quarta-feira, 16, presencialmente em um almoço em Brasília. Sem um nome natural, as legendas já não consideram nas discussões alternativas como o empresário e apresentador Luciano Huck ou o ex-juiz federal Sérgio Moro. Em entrevista ao  programa Conversa com Bial, exibido pela TV Globo nesta madrugada, Huck  afirmou que não vai se lançar como candidato à Presidência em 2022.

O almoço entre os líderes partidários foi uma ideia do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, que é apresentado como pré-candidato do DEM. Foram convidados os presidentes do MDB, PSDB, PDT, Novo, Podemos, PV, Cidadania, Solidariedade e PSL. Nem todos estarão presentes porque já tinham agendas marcadas, mas a iniciativa foi bem recebida pelo grupo, que busca visibilidade na opinião pública.

A avaliação da maioria dos dirigentes é a de que os “outsiders” não estão dispostos a enfrentar as urnas no ano que vem e que é preciso ocupar esse espaço com um nome competitivo da própria política. Após um período recluso, Huck já havia perdido espaço como opção eleitoral. 

Na entrevista ao jornalista Pedro Bial, ele confirmou que renovou seu contrato com a Globo e que vai substituir Fausto Silva, o Faustão, nos domingos da emissora. A informação foi antecipada nesta terça-feira, 15, pelo jornalista Daniel Castro, do portal UOL.

“Agora não temos um candidato nosso”, admitiu o presidente do Cidadania, Roberto Freire. A legenda abrigou os grupos de renovação ligados a Huck e durante um longo período manteve proximidade com o apresentador.

‘Viáveis’. O almoço dos dirigentes partidários vai ocorrer um dia após o PSDB definir seu modelo de prévias com voto indireto. A aposta entre os tucanos é que até novembro, quando acontecerá a eleição interna, a terceira via terá apenas duas opções viáveis: o escolhido do partido e Ciro Gomes.

O PSDB conta com quatro postulantes: os governadores João Doria (SP) e Eduardo Leite (RS), o senador Tasso Jereissati (CE) e o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio. “O almoço de amanhã hoje é uma demonstração de que existe um conjunto de forças que se veem na obrigação de oferecer alternativas reais a essa polarização”, disse o presidente do PSDB, Bruno Araújo. Segundo o tucano, o partido, apesar das prévias já marcadas, vai discutir todas as alternativas de forma “aberta e democrática”.

O presidente do PDT, Carlos Lupi, contou que foi convidado pelo presidente do DEM, ACM Neto, mas não poderá ir ao almoço, pois já tinha uma viagem marcada. “Depois do advento do Wilson Witzel no Rio, do Romeu Zema em Minas, e dos governadores de Santa Catarina Carlos Moisés, do PSL e Amazonas Wilson Lima, do PSC – todos eles outsiders que foram um fracasso – não há espaço para um nome diferente, que podia ser o Luciano Huck ou o Sérgio Moro. São duas cartas fora do baralho. Que novidade você inventa assim? Isso não se constrói do dia para o outro. O Ciro vai acabar agregando uma boa parte desse grupo.”

Lupi é cético sobre a possibilidade de uma frente partidária em torno de uma candidatura única, mas aposta no “pragmatismo” das legendas de centro. “Vai ter uma divisão. Um ou dois podem ficar com Bolsonaro, outros com Lula, e uns 2 ou 3 podem ficar com a gente. Vai depender de quem tem chance de ganhar. Se chegar em março do ano que vem e o Ciro tiver entre 12% ou 15%, o que acho possível, vamos ter uma boa parte desse grupo. Se ele não conseguir esse patamar, não teremos. Eles são bem pragmáticos.”

Os partidos do centro estão pressionados pelas manifestações de rua contra e a favor ao presidente Jair Bolsonaro e o crescente protagonismo da polarização com o ex-presidente Lula. No início de abril, os presidenciáveis da centro-direita à centro-esquerda chegaram a assinar um manifesto e montar um grupo de WhatsApp chamado “Polo Democrático”. O movimento, porém, esbarrou em crises internas e desavenças.

“É importante nós sairmos da polarização. Por isso precisamos manter viva a discussão de um nome que represente o equilíbrio e a moderação”, disse o deputado Baleia Rossi, presidente do MDB, que apresentou o nome da senadora Simone Tebet (MS).

Mandetta ressaltou que essa será a primeira reunião nos “moldes normais da política”. “Até agora era por celular, live e vídeo. Vamos sentar e conversar. Pensando juntos as coisas podem sair melhor. A gente tem que trabalhar mais o conceito de pré-aliança do que pré-candidatura. Os partidos vão depurando nomes”, afirmou.

O Novo chegou recentemente a anunciar a pré-candidatura de João Amoêdo à Presidência. Nove dias depois, porém, Amoêdo desistiu da postulação diante das divergências internas.

O almoço ocorre após uma reaproximação entre o presidente do DEM, ACM Neto, e do MDB, Baleia Rossi. Eles, que estavam rompidos desde a eleição para a presidência da Câmara, jantaram na semana passada no apartamento de Bruno Araújo em Brasília. O MDB e o PSL, por sua vez, estreitaram a relação nos últimos meses e estão até elaborando um plano em conjunto com as respectivas fundações – chamado “Ponto de Equilíbrio”.

Para Roberto Freire, do Cidadania, a ideia do encontro ampliado presencial é dar o primeiro passo para chegar a um denominador comum. “É encontrar um nome comum, do Mandetta ao Ciro, passando por Doria, Tasso e Leite”, disse.

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