Angela Lacerda/Estadão
Angela Lacerda/Estadão

Atos pró-Dilma são hostilizados em manifestações contra o governo

Ciclista com bandeira vermelha no pescoço é agredido no Rio

O Estado de S. Paulo

15 de março de 2015 | 12h11

Atualizado às 15h56

As manifestações contra o governo Dilma Rousseff reúnem milhares de pessoas pelo País e em sua maioria seguem de forma pacífica. Em algumas cidades, no entanto, há relatos de brigas e agressões entre grupos pró e contra a administração federal.

No Rio, o mecânico Rogério Martins, que passava de bicicleta pela Avenida Atlântica, com uma bandeira vermelha enrolada no pescoço, foi hostilizado, agredido e expulso do local por manifestantes na orla de Copacabana, na zona sul do Rio. Depois de ser empurrado e cair da bicicleta, o mecânico foi cercado por policiais, que o escoltaram até uma rua transversal. Chamado de "ladrão", "comunista", "veado" e "filho da puta", Martins não reagiu às agressões.

Um manifestante com a camisa da Seleção Brasileira tentou arrancar sua bandeira vermelha, com o símbolo do Movimento Nacional de Luta pela Moradia. Um policial que estava ao lado impediu e a devolveu para o mecânico, que guardou a bandeira na pochete. "Eu não fiz nada e tentaram me espancar", disse Martins, antes de deixar o local de bicicleta.

Também no Rio, durante a tarde, um manifestante foi escoltado por policiais militares em frente à Igreja da Candelária, no centro. O ativista recebeu gritos de "petista" após discutir com um os organizadores do evento, que estava em cima do carro de som. Marcos Cristiano Pereira pedia que um dos organizadores tirasse a máscara que usava. Ele estava fantasiado de Capitão Brasil, em alusão ao personagem Capitão América, tirasse a máscara que usava. O bate-boca gerou confusão.

Em Niterói, na Grande Rio, dois moradores que acenaram da janela com uma bandeira vermelha foram respondidos com vaias pelos cerca de três mil reunidos na Praia de Icaraí. Eles gritaram de "pula, pula" para os moradores.

Outra voz dissonante no protesto foi a da socióloga Edda Pettersen, que caminhava no calçadão. "Estou apavorada.Parece a Marcha da Família. Nada disso tem sustentação política. O PT errou muito, caiu na vala comum com esses casos de corrupção.  Mas não há fato que justifique pedido de impeachment", disse ela em referência ao ato realizado em março de 1964, dias antes da deposição do presidente João Goulart. Edda contou ter se desfiliado do PT há alguns anos.

No Recife, um homem fez gestos agressivos contra a multidão que participa do ato anti-Dilma, que reagiu com vaias. Logo depois, a funcionária pública aposentada Djanira Souza, de 69 anos, levou seu cartaz pró-Dilma e também levou vaia. Teve quem quisesse tomar o seu cartaz, mas manifestantes a protegeram. / Felipe Werneck, Vinicius Neder, Clarissa Thomé e Angela Lacerda

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