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Ato virtual pela democracia e liberdade de imprensa reúne líderes políticos e entidades

Ato teve caráter suprapartidário e contou com deputados e senadores de PSB, PT, Rede, PDT, Cidadania, PSOL, PCdoB e PV; parlamentares reforçaram o dever do Congresso na manutenção da liberdade de imprensa

Fernanda Boldrin, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2020 | 13h30

Jornalistas, lideranças partidárias de diversos matizes ideológicos e representantes de entidades como a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e a Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) participaram nesta quarta-feira, 3, de um ato virtual em defesa da democracia e da liberdade de imprensa. 

O ato ‘Imprensa Livre, Democracia Forte’, que acontece na esteira de movimentos pró-democracia ocorridos nos últimos dias, teve caráter suprapartidário e contou com deputados e senadores de PSB, PT, Rede, PDT, Cidadania, PSOL, PCdoB e PV. 

Os presentes repudiaram o que veem como traços de autoritarismo no atual governo e destacaram o papel da imprensa na sustentação da democracia. 

“Nunca, desde a redemocratização, estivemos sob tanto risco para a democracia no Brasil”, afirmou o presidente da Abraji, Marcelo Träsel. Ele mencionou o que vê como “sinais recentes de degradação autoritária na democracia brasileira”, e disse que “isso se reflete numa perseguição, em primeiro lugar, aos jornalistas, porque é papel da imprensa denunciar e tentar impedir o uso oportunista do Estado para fins anti-democráticos”. 

A jornalista Cristina Serra rememorou o momento de promulgação da Constituição de 1988 e reforçou a necessidade de união em torno da pauta democrática. “Vamos afastar qualquer sombra de tutela militar e a sombra de coturnos sobre a política neste País. Chega. Basta”, afirmou Cristina, ecoando um manifesto lançado no domingo, 31, e assinado por juristas e advogados contra os ataques do presidente Jair Bolsonaro às instituições.

Parlamentares presentes reforçaram o dever do Congresso na manutenção da liberdade de imprensa. “No Parlamento, pode ter certeza, seremos vozes incansáveis na defesa de uma imprensa livre e de um Brasil verdadeiramente democrático”, afirmou o líder da oposição na Câmara, deputado André Figueiredo (PDT-CE)

Na mesma linha, o senador e líder da Minoria no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou que “quando o mais alto magistrado da nação, que tem o dever constitucional (...) de defender a democracia e suas instituições, de assegurar o inalienável direito à expressão e o inalienável direito de as pessoas terem informação por meio de sua imprensa livre, independente e democrática, intimida este direito, é uma demonstração clara de que um regime autoritário começa a cercar.” Randolfe emendou: “A oposição no Congresso Nacional unida estará para defender a democracia, defender a liberdade de imprensa.”

Líder do PSB na Câmara, Alessandro Molon elencou diversas formas de agressão que têm sido sofridas por profissionais de imprensa. “Nós temos visto assédio a jornalistas, exposição de suas vidas privadas, ataques pessoais, agressões físicas, agressões verbais, o famoso ‘cala a boca’ do presidente.”

A presidente da Fenaj, Maria José Braga, citou levantamento da organização que indica que, em comparação com 2018, a violência contra jornalistas cresceu 54% em 2019. Ela afirmou que, sozinho, Bolsonaro foi responsável por cerca de 58% dos ataques proferidos.

Molon rendeu homenagem aos profissionais e relembrou ataques que ocorreram ao longo do ano. “Eu queria pedir licença para fazer uma homenagem especial à jornalista Patrícia Campos Mello, à jornalista Vera Magalhães, e ao fotógrafo Dida (Sampaio), que foram gravemente agredidos - os três, cada um de uma forma.”

Em vídeo, o ato virtual também reproduziu episódios em que o presidente Jair Bolsonaro proferiu e incentivou ataques contra a imprensa e contra profissionais do jornalismo. Hostilidades do tipo feitas por apoiadores bolsonaristas se tornaram rotineiras, e muitas vezes contam com apoio do presidente.

 

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