Ato pró-Dilma em Buenos Aires tem 100 brasileiros e 50 argentinos

Dirigentes peronistas entregaram no consulado do Brasil uma carta 'contra as forças neoliberais' e falavam em 'perseguição judicial' a Dilma

Rodrigo Cavalheiro, correspondente, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2016 | 20h58

BUENOS AIRES - Dois atos sucessivos favoráveis ao governo da presidente Dilma Rousseff ocorreram na tarde desta quinta-feira, 31, em Buenos Aires. No primeiro deles, 50 militantes da oposição argentina caminharam 1 quilômetro, da embaixada brasileira até o Obelisco. O grupo foi liderado por dirigentes peronistas, que entregaram no consulado uma carta "contra as forças neoliberais". "Há uma perseguição judicial no Brasil como tentam fazer agora com Cristina Kirchner aqui e com outros movimentos na América  Latina", afirmou Ariel Basteiro, dirigente do grupo kirchnerista Nuevo Encuentro. Durante toda a marcha, os cantos foram em espanhol.

"Olê, olê, olê, olá, eu não sou ianque, nem quero ser / eu vou com Dilma, com Maduro e com Fidel" era a estrofe mais repetida. Outros lemas eram "pátria ou morte", "não vai ter golpe" e "não passarão". Na frente do grupo, os dirigentes levavam um cartaz em que se lia "Lula vale a luta". O ex-presidente apoiou o candidato kirchnerista Daniel Scioli, derrotado na ultima eleição argentina por Mauricio Macri. Outros cartazes diziam "Mexeu com Lula mexeu comigo".

Os poucos brasileiros que participaram ficaram no final da marcha, na qual predominaram o vermelho e as cores das bandeiras dos partidos peronistas. "A disputa aqui é pela narrativa. Não discutimos que o impeachment está na Constituição, mas não há crime de responsabilidade", afirmou o documentarista Paulo Pereira, de 32 anos, há 3 na Argentina. Ele se disse assustado com as barreiras de metal colocadas diante das duas entradas da embaixada e diante do portão do consulado, que se preparou para atos violentos. A marcha convocada pelos argentinos se dispersou às 18h, meia hora antes de outra leva, composta por brasileiros que fizeram o mesmo percurso, chegar ao local.

Ao ritmo de um pandeiro e um tambor, os 100 manifestantes saltavam e gritavam "quem não pula apoia o golpe". Outro "hit" era "Olê, olê, olá, o Temer vai renunciar". Em cartazes, o grupo afirmava que "impeachment sem crime de responsabilidade é golpe" e chamavam os que defendem a destituição de Dilma por meio do juízo político de "racistas e fascistas". No grupo, predominava o vermelho, mas havia gente com todo tipo de roupa. "É bom que o vermelho não seja imposto. O PT cometeu muitos erros e partidarizar esse tipo de ato é perder apoio. Estou aqui porque não concordo com o impeachment. É preciso que pessoas de todo o mundo saiba o que ocorre no Brasil", disse Bruno Gonçalves da Silva, de 31 anos, funcionário público do governo federal, comandado pela coalizão de centro-direita de Mauricio Macri.

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