Amanda Perobelli/ESTADÃO
Amanda Perobelli/ESTADÃO

Ato por eleições diretas reúne manifestantes em São Paulo

Manifestação no Largo da Batata teve shows de artistas como Criolo, Mano Brown e Pitty e apresentação de blocos de carnaval

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

04 de junho de 2017 | 15h25

SÃO PAULO -O ato SP pelas Diretas Já, organizado por artistas e produtores culturais independentes de partidos políticos reuniu uma multidão na tarde deste domingo, 4, no Largo da Batata, em São Paulo. Em clima de festa e ao som de blocos de carnaval e cantores como Mano Brown, Criolo, Otto, Paulo Miklos e Emicida, os manifestantes pediram a saída do presidente Michel Temer, alvo de inquérito aberto pela Procuradoria Geral da República (PGR) com base na delação do empresário Joesley Batista, dono da JBS. 

“Precisamos de mudança. O comandante foi pego com a mão na cumbuca. Já era. Foi pego. Quantos amigos nossos foram presos só porque estavam no lugar errado na hora errada?”, questionou Mano Brown. O rapper dos Racionais Mcs foi a principal estrela da manifestação. Ao contrário de outros protestos que pediam a saída de Temer, o ato deste domingo não teve partidos políticos nem sindicatos na organização. Segundo os organizadores, 100 mil pessoas compareceram. A Polícia Militar não fez estimativa.

A ideia surgiu na semana passada, no Rio, em evento que reuniu Caetano Veloso e Milton Nascimento, entre outros, na praia de Copacabana e o modelo deve ser replicado em outras capitais. Artistas e produtores culturais estão chamando atos semelhantes para a próxima semana em Belo Horizonte, Porto Alegre e Recife. O objetivo, segundo os organizadores, não é excluir os partidos políticos mas ampliar o público dos eventos para setores que não se identificam com as legendas mas querem a saída de Temer.

Apesar da polêmica causada pelo modelo independente ao longo da semana, PSL, PT, Central Única dos Trabalhadores (CUT) e as frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular convocaram seus militantes que compareceram com camisas, bonés e bandeiras.  Eles se misturaram com pessoas sem ligação partidária ou com movimentos que foram ao Largo da Batata para pedir a saída de Temer e eleições diretas ou para ver as apresentações artísticas. 

Além do Fora Temer e Diretas Já, os manifestantes levaram cartazes e caixas com outras pautas como a suspensão das reformas trabalhista e da Previdência, legalização das drogas, combate à homofobia, racismo e machismo. 

O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), também foi alvo de protestos, principalmente pela atação do secretário de Cultura, André Sturm, que duas semanas atrás ameaçou “quebrar a cara” de um jovem ativista cultural de Ermelindo Matarazo durante uma audiência.

Proibidos de subir no palanque, políticos como os deputados Paulo Teixeira (PT-SP), Ivan Valente (PSOL-SP), Orlando Silva (PC do B-SP) e o vereador Eduardo Suplicy (PT-SP) circularam pelo local e conversaram com os manifestantes.

“Acho bacana o protagonismo ser dos artistas porque descola o ato da luta política corriqueira”, elogiou Orlando Silva. Para Ivan Valente, mesmo que o movimento não alcance o objetivo das diretas já, a mobilização pode gerar bons frutos para a esquerda nas eleições de 2018. “Essa discussão toda gera um acúmulo para 2018”, afirmou o deputado. 

Segundo Paulo Teixeira, a realização de atos como o de ontem tem o potencial de influenciar a política institucional. “É um caudaloso movimento por redemocratização”, disse ele.

Coube a Mano Brown verbalizar a tensão entre a juventude, maioria absoluta no protesto, e a política tradicional. “A juventude não quer saber de cores. Não quer saber se é vermelho, azul ou amarelo. Defender partido A ou B está errado também. Todos eles tiveram sua chance”, resumiu.

Representantes de movimentos sociais que integram as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo foram convidados a falar e destacaram a falta de legitimidade do Congresso, onde vários deputados e senadores são investigados por envolvimento com o esquema de corrupção revelado pela Lava Jato, para escolher um eventual sucessor do presidente Michel Temer. 

“Este Congresso não tem moral nem legitimidade política para escolher o presidente”, disse Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e integrante da Frente Povo Sem Medo. 

Economista, professora da USP e integrante do movimento Queremos Prévias, Laura Carvalho disse que o momento exige mais participação popular e não o contrário. “A gente não quer o Michel Temer nem outro Michel Temer para fazer isso (reformas da Previdência e trabalhista). A gente quer escolher. A gente quer mais participação e não menos participação”, disse ela. 

Representantes da União Nacional dos Estudantes (UNE), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Levante Popular da Juventude e Círculo Palmariano, todos eles integrantes das frentes Brasil Popular e povo Sem Medo, também usaram a palavra.

O ato terminou por volta das 19h, com a apresentação de Mano Brown. Segundo a PM, a manifestação foi pacífica e não foram registrados incidentes.

 

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