Ato pela paz reúne mais de seis mil no Ibirapuera

De 6 a 8 mil pessoas, segundo estimativas da Guarda Civil Municipal, participaram hoje, no Parque Ibirapuera, do ato ecumênico "São Paulo pede paz". O evento foi organizado para simbolizar o repúdio da população paulistana aos atos de violência no mundo, a partir dos atentados ocorridos no último dia 11, nos Estados Unidos. O ato, que começou às 10h30, teve a participação de autoridades governamentais, parlamentares, lideranças religiosas e artistas, entre as quais o governador Geraldo Alckmin e a primeira dama Maria Lúcia Alckmin, a prefeita Marta Suplicy, o arcebispo metropolitano, dom Claudio Hummes, o rabino Henri Sobel e o presidente em exercício do PT, deputado José Genoíno e o cantor Gilberto Gil.As principais personalidades fazeram discursos de 15 minutos que, de forma unânime, destacaram a solidariedade ao povo dos Estados Unidos e o cuidado de não se confundir os terroristas com a religião muçulmana. De acordo com a tônica desses discursos, a resposta norte-americana não deve por em risco os valores democráticos. "Acabar com o terrismo exige a mobilização de todos , mas não será com fúria cega que vamos preservar os valores democráticos que defendemos", disse a prefeita Marta Suplicy (PT), primeira a falar.O governador Geraldo Alckmin referiu-se ao líder Mahatma Ghandi, afirmando que a paz deve ser buscada com a verdade e a justiça. "As diferenças enriquecem nossa visão de mundo", disse, antes de encerrar sua fala com a frase: "dêem uma chance à paz"."Não defendemos a impunidade dos culpados, mas, buscamos que não sejam punidas outras pessoas e nações", afirmou o cardeal dom Claudio Hummes. Ele manifestou sua repulsa e indignação contra o ato terrorista, que considerou inadmissível, em qualquer circunstância. Confusão - O único incidente do ato ecumênico ocorreu nos bastidores do evento, pouco antes de seu início, quando o xeque Mohamad Nassif Mourad, presidente da Sociedade Beneficente Muçulmana de São Paulo, procurou os jornalistas para denunciar que havia sido impedido de subir ao palco pelo cerimonial da Prefeitura. Segundo Mourad, o xeque Armando Hussein Saleh, convidado a falar durante o ato, não tinha representatividade na comunidade muçulmana de São Paulo.Depois desse protesto, Saleh foi autorizado a subir ao palco. A assessoria de imprensa da Prefeitura alegou que o cerimonial não era responsável pelo incidente. Segundo eles, a parte religiosa do evento havia sido organizada pelo padre José Bizon. Os organizadores estimam que o ato teve a presença de cerca de 40 líderes de todas as tendências religiosas.

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