Ato no Rio pede impeachment de Dilma

Sob uma chuva fraca, cerca de 150 manifestantes recordavam o caso do mensalão e os desdobramentos da Operação Lava Jato

Idiana Tomazelli, O Estado de S. Paulo

15 de novembro de 2014 | 16h47

RIO - Um protesto contra os escândalos de corrupção e a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) levou cerca de 150 pessoas, de acordo com estimativa da Polícia Militar, à orla de Copacabana, zona sul do Rio, na tarde deste sábado, 15. Vestidos com as cores verde e amarela e, em alguns casos, empunhando cartazes de protesto ou bandeiras do Brasil, os manifestantes entoaram gritos como "1, 2, 3, Dilma no xadrez", "Papuda neles" (em referência ao Complexo da Papuda, onde estão presos alguns dos condenados no caso do mensalão, em Brasília) e "Fora PT".

A concentração começou por volta das 14h, em frente ao hotel Copacabana Palace. Sob uma chuva fraca, os manifestantes recordavam o caso do mensalão e a recente Operação Lava Jato, da Polícia Federal, para pedir o fim da corrupção e saída do PT do poder. O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) foi um dos primeiros a discursar, usando um aparelho de som instalado no canteiro central da Av. Atlântica. O parlamentar afirmou que as Forças Armadas são "tão vítimas quanto nós" e que o objetivo de ir às ruas é garantir "nossa liberdade e soberania".

"Querem impor o socialismo no nosso País. O socialismo é o nome fantasia para comunismo", disse Bolsonaro, muito aplaudido e depois assediado pelos presentes. O deputado federal ainda "comemorou" a existência do mensalão. "Graças a Deus houve mensalão. Se não houvesse, José Dirceu (ex-ministro da Casa Civil) seria hoje presidente da República", gritou, novamente aclamado pelos manifestantes.

Bolsonaro também mirou críticas no ex-deputado paulista Rubens Paiva, morto durante a ditadura militar, e Carlos Lamarca, "esse marginal que infelizmente fez parte do Exército Brasileiro". O parlamentar estava acompanhado do filho Flávio Bolsonaro, deputado estadual no Rio de Janeiro pelo PP. "Nós não somos como aqueles movimentos sociais comprados. Isso aqui é movimento legítimo. Isso é a voz do povo", discursou Flávio Bolsonaro.

A mídia foi outro alvo de ataques durante o ato, assim como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). "A urna está comprada", gritou um dos presentes. Cartazes pediam auditoria do resultado das eleições deste ano. Em outro momento, os manifestantes aplaudiram "em homenagem à Polícia Militar".

Enquanto Jair Bolsonaro discursava, uma senhora começou a cantar a música "Fibra de herói", tradicional em quartéis do Exército e da Marinha do Brasil. Ela foi acompanhada por poucas pessoas a seu redor. Abordada pela reportagem, ela recusou entrevista. "Entrevistar a única que levantou a bandeirinha da intervenção? O Estadão não, querida..."

O sentimento de indignação com a corrupção era uma das principais justificativas de quem compareceu ao ato. Vestido de Batman, Eron Morais Melo, de 33 anos, que chegou a ser detido durante as manifestações de 2013, defende pressão e cobrança popular por mudanças. "Já passamos por mensalão, agora esse escândalo da Petrobrás, o chamado petrolão. Isso tem que acabar. Que essa Operação Lava Jato venha tirar um pouco desse lamaçal em que está o País", afirmou.

A dona de casa Silvia Farias, de 34 anos, viajou por duas horas de carro para comparecer ao ato. Moradora de Vassouras, no interior do Rio de Janeiro, ela ficou sabendo do evento pelas redes sociais. "Eu vim para tirar o PT do poder. Acredito que são altas inflações, tá tudo ruim, o País está quebrado... apoio que a Dilma saia do governo, o PT também. Todos de esquerda", disse ela, que se declarou admiradora de Jair Bolsonaro.

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