JF Diorio
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Ato na Paulista tem agressões e secretário de Estado expulso e xingado de 'ladrão'

Manifestantes brigaram entre si e a PM precisou usar gás de pimenta para evitar que adolescente de 17 anos fosse linchado; protestos duraram mais de 24 horas

Rafael Italiani e Fernando Arbex, São Paulo

17 de março de 2016 | 17h58

São Paulo - O protesto da Avenida Paulista pela renúncia da presidente Dilma Rousseff (PT) e contra o ex-presidente Lula teve briga entre manifestantes favoráveis à mesma causa, agressões contra um adolescente de 17 anos que disse "não vai ter golpe", gás de pimenta e hostilidade contra o secretário estadual de Segurança Pública, Alexandre de Moraes, que precisou fugir escoltado do local sob vaias e gritos de "ladrão".

O primeiro caso aconteceu por volta das 12h. Um rapaz vestido de vermelho foi perseguido e chutado por um grupo que gritava "comunista" e "petista" contra ele. Um manifestante e a namorada tentaram acalmar os ânimos e um outro ativista agrediu o casal.

Houve briga e a PM precisou retirar o homem e a mulher do local dentro de viaturas da polícia. O caso aconteceu em frente ao secretário Moraes que deu uma coletiva de imprensa na esquina da avenida com a Rua Pamplona.

Ele explicava que não houve diferenciação da pasta com os atos organizados pelo Movimento Passe Livre (MPL) e os contra o governo Federal e que o cenário era "absolutamente pacífico" Ao ser questionado por uma repórter sobre a briga ele criticou a jornalista. "O que você está dizendo é de um sensacionalismo que eu diria ridículo. Basta ver que está absolutamente tranquilo". Em seguida, o secretário começou a ser insultado por manifestantes. Ele foi chamado de "ladrão" e também de "fascista". A PM e a segurança pessoal dele precisaram escoltar Moraes. No domingo, na mesma esquina, o governador Geraldo Alckmin e o senador Aécio Neves (PSDB), também precisaram fugir do local após serem hostilizados pela população. Um homem tentou jogar uma bandeira nele, mas um dos guardas o puxou pelo colarinho.

Já por volta das 16h o estudante Vitor Basílio Pereira, de 16 anos, foi espancado, cercado e quase linchado pela população que ocupava a Paulista. De acordo com ele, tudo começou após ele ter falado "não vai ter golpe" ao cruzar o viário. A PM demorou para intervir e usou gás de pimenta. Enquanto os policiais escoltavam Pereira, manifestantes conseguiram atingir o jovem. "Eu estou expressando a minha opinião e não posso. Fui agredido. E não vai ter golpe outra vez", disse, pouco antes de ser abrigado dentro de um estacionamento da Alameda Santos. Os três casos terminaram sem a prisão dos agressores.

24h de protestos. Manifestantes contrários ao governo da presidente Dilma Rousseff montaram uma verdadeira vigília de protestos na Avenida Paulista desde o anúncio de que o ex-presidente iria ocupar o Ministério da Justiça, por volta do meio-dia de anteontem. Muitos manifestantes viraram a noite no local escolhido como concentração do ato – em frente ao prédio da Fiesp.

A revolta dos participantes aumentou após a divulgação do diálogo de Dilma e Lula, no início da noite de quarta-feira. Os manifestantes interpretam que Lula tentou fugir do juiz Sérgio Moro, uma vez que, como ministro, o petista ganha foro privilegiado e só pode ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal.

Participantes do protesto contra Dilma realizado no domingo classificaram os atos dos dois últimos dias como os mais espontâneos. “Ninguém combinou nada pela internet e nem foi convocado por grupos com interesses políticos, como os que estavam aqui no domingo”, disse o empresário Ivan Soares Dalila, de 60 anos. Ele e a família participaram do ato do final de semana. 

O auxiliar administrativo Marcelo Silva, de 21 anos, não foi ao protesto de domingo por se sentir “usado como massa de manobra” por partidos de oposição. “Hoje é completamente diferente. A revolta não foi ditada por ninguém. A população viu com os próprios olhos.”

O manifestante Bruno Balestrero disse que estava na Paulista desde as 23h30 de anteontem. “Vim sozinho e me juntei a outras pessoas que não têm partido. Lutamos pela decência na política e exigimos o impeachment ou renúncia de Dilma e a prisão do Lula”, afirmou o ator e administrador de empresas de 27 anos.

Comemoração. Por volta das 11h45, quando os manifestantes receberam a informação de que a posse de Lula havia sido suspensa, houve comemoração. Gritos acalorados contra o PT, Lula e Dilma, pedidos de renúncia da presidente e o canto do Hino Nacional também empolgaram os manifestantes ao longo do dia. Os apoiadores de Moro gritaram em tom de ameaça: “Se mexer com o Moro, o bicho vai pegar”.

Quem chamou a atenção foram pessoas vestidas com roupas militares, que pediam pela volta da ditadura. Fardado, William Mascarenhas desfilava com uma bandeira do Estado de São Paulo. Ele defende que uma junta militar governe o Brasil por um curto período para acabar com a corrupção no País.

Muitos ambulantes se aproveitaram do protesto para vender garrafas d’água, bebidas alcoólicas e roupas com dizeres contra o governo ou com as cores do Brasil. Aos 17 anos, Pierre Andrade saiu do Jardim Romano, na zona leste, “para trabalhar”, de acordo com ele. “Não gosto do governo, mas não é por causa disso que eu estou aqui”, disse o jovem.

A Polícia Militar não informou estimativa do público desta quinta no local.

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