Ato inter-religioso no Rio prega paz

O embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Cristóbal Orozco, disse hoje que os Estados Unidos não precisam ter "100% de provas" para desferir uma ataque militar contra o Afeganistão, onde se esconde a organização al-Qaeda, do terrorista e milionário saudita Osama Bin Laden, principal suspeito pelos atentados terroristas da semana passada em Nova York e Washington. Ele saiu de Brasília para participar de um ato inter-religioso - com representantes protestantes, judeus, católicos e muçulmanos - em solidariedade às vítimas da tragédia, realizado na igreja da Candelária, no centro do Rio."Obviamente, nenhum país irá responder (a esses atos terroristas) sem ter provas, mas não precisa ser exatamente 100%, basta ter provas suficientes para dar a resposta", afirmou. O embaixador norte-americano ressaltou, porém, que ninguém sabe qual será a resposta norte-americana. "Mas nosso país está se preparando", disse, lembrando que é preciso uma "coalização dos países civilizados do mundo" para erradicar os terroristas. "A guerra não será contra um país, nem contra uma religião específica, mas contra um grupo pequeno de extremistas", afirmou.Orozco agradeceu o apoio dos brasileiros aos norte-americanos e lembrou que os atentados terroristas do dia 11 de setembro não foram exclusivamente contra os Estados Unidos, mas também contra mil estrangeiros que estavam entre as 6.733 vítimas da tragédia.O ato inter-religioso foi celebrado em conjunto pelo bispo-auxiliar do Rio, dom Felipe Santoro, o xeque Abdul Osman, da Sociedade Beneficente Muçulmana do Rio, o pastor plesbiteriano Éber César e o rabino Sérgio Maguilles, da Sociedade Israelita do Rio de Janeiro. Cerca de 300 pessoas, a maioria empresários, assistiram à cerimônia, organizada por 18 entidades de classe, entre as quais a Associação Comercial do Rio de Janeiro, a Ordem dos Advogados do Brasil, a Bolsa de Valores do Rio e a Câmara de Comércio Americana do Rio.Os quatro religiosos pediram prudência e sabedoria aos Estados Unidos contra uma possível ação militar no Afeganistão. "Geralmente, depois da guerra, temos a paz, mas como obter isso contra quem caminha para morte?", questionou Santoro, referindo-se a um embate contra terroristas liderados por Bin Laden. "Numa operação militar, os homens responsáveis pelo mundo devem ser guiados pelo caminho da sabedoria, no qual prevalece a solidariedade, a justiça e a paz".O xeque Osman ressaltou a diferença entre os muçulmanos seguidores do Islã e os terroristas que usam a religião para cometer atentados. "Nossa religião não prega a guerra", disse. "Apoiamos todas as medidas duras contra o terrorismo."O rabino Maguilles disse que a resposta militar contra os terroristas é necessária, lembrando a invasão da Tchecoslováquia pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial, pelas forças alemães comandadas por Adolf Hitler. "Naquela época, o mundo ficou de braços cruzados, achando que Hitler iria voltar atrás. Se tivesse ocorrido uma reação logo ali, a história da humanidade talvez tivesse sido menos trágica", avaliou.Maguilles pediu a união de todas as religiões em torno da paz e, no fim de seu pronunciamento, tocou o shofar (chifre de carneiro), cujo som simboliza a paz e é tocado nas comemorações do ano novo judaico.No fim da cerimônia inter-religiosa, que durou uma hora e meia, os quatro religiosos uniram-se em torno de uma vela, representando a fé e a paz, ao som da oração de São Francisco de Assis, cantada por um coral contratado pela Associação Comercial do Rio.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.