Ato em São Paulo unifica discurso por impeachment

Protesto na Paulista tem menos manifestantes, que se reuniram em volta dos carros de som e ouviram discursos pelo 'Fora Dilma'

VALMAR HUPSEL FILHO , RICARDO GALHARDO , RAFAEL ITALIANI, O Estado de S.Paulo

13 Abril 2015 | 02h04

O protesto de ontem foi o primeiro em que as lideranças dos principais grupos organizadores unificaram o discurso em torno do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. No ato de 15 de março, grupos importantes como o Vem Pra Rua ainda não tinham aderido à tese.

Além de Dilma, o PT e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram alvo de críticas e xingamentos. Também houve espaço para ataques ao Congresso e ao PMDB, além de pedidos de intervenção militar. Defensores minoritários de causas polêmicas como separatismo, monarquia e integralismo (versão brasileira do fascismo) tentaram aproveitar a onda, mas foram repelidos.

"Trouxemos fichas de associação, mas estamos discretos porque na outra vez fomos hostilizados pelos nacionalistas", disse Júlio Bueno, do Movimento São Paulo Independente.

Era visível o menor número de pessoas ontem em comparação ao ato de 15 de março - considerada a maior manifestação de rua desde a Diretas-Já. Os pontos de maior concentração eram ao redor do trio elétrico do Vem Pra Rua, estacionado na esquina da Paulista com a Alameda Campinas, e em frente ao Masp, onde estava instalado o carro de som do Movimento Brasil Livre (MBL). Nos demais trechos da avenida, era possível circular tranquilamente.

Alguns manifestantes arriscavam explicações para a queda de público. Entre os motivos apontados estavam a "acomodação" do povo brasileiro, a baixa divulgação na mídia e o pouco tempo para preparação - menos de um mês desde o último ato. A médica Maria Aparecida Giomanetti associou a queda de público à falta de ações dos políticos em Brasília. "O que aconteceu no Congresso desde o dia 15? Nada, absolutamente nada", disse ela.

Embora a maioria dos manifestantes mais uma vez fosse de famílias, muitos palavrões e ofensas faziam parte dos gritos de guerra. O Datafolha, que na manifestação de março afirmou ter 210 mil pessoas ante estimativa de 1 milhão da Polícia Militar, foi um dos alvos.

A participação de políticos nas ruas foi discreta. Foram vistos circulando pela Paulista tucanos como o ex-governador de São Paulo Alberto Goldman, o suplente de senador e ex-deputado José Aníbal e o secretário estadual de Planejamento, Júlio Semeghini, além de Milton Flávio, presidente do diretório municipal do PSDB.

O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), próximo ao carro de som do Revoltados On Line, foi o único a ser tratado como celebridade e chamado até de "presidente" por manifestantes. Ao discursar, criticou o PT e defendeu o porte de armas. Empolgado com a receptividade do público, Bolsonaro insinuou que poderá se candidatar à Presidência. "Quero participar da política nacional em 2018. Não estou dizendo que sou candidato, mas quero participar do debate."

Confusão. Vestida de vermelho, a artesã Tarcila Soares Lima foi hostilizada na Paulista. Sozinha, ela gritava "Viva Dilma e viva Lula" e foi alvo da hostilidades de manifestantes, que passaram a vaiá-la e a gritar que "seu lugar não é aqui".

"Não recebo nenhum benefício do governo. Vim aqui defender o que é legítimo", disse Tarcila. Ela disse ter sido xingada, mas não agredida fisicamente. "Também tenho direito de me manifestar."

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