Ato de violência marca missa por Tim Lopes

A missa celebrada nesta segunda-feira por Frei Marcelo Pimentel, na Igreja São Domingos, em Perdizes, zona oeste de São Paulo, em nome do jornalista Tim Lopes, assassinado em uma favela do Rio, foi marcada por mais um episódio de violência.O guardador de carros Washington Ignácio Pedro, de 18 anos, foi encontrado estirado no chão, na esquina das Ruas Caiubi e Atibaia. Ele tinha marcas vermelhas no corpo e na boca, os olhos inchados, e tremia. Segundo testemunhas, ele foi espancado por PMs do 23º Batalhão."Eles encostaram o garoto na parede e deram chutes e socos. Depois, colocaram ele na viatura", contou um vigia que não quis identificar-se.Washington disse que foi levado para o 23º Batalhão. De acordo com testemunhas, o jovem voltou se arrastando. "Ele não conseguia andar, de tão machucado."Estudantes da PUC viram quando dois carros da PM abordaram Washington com violência. A cena não chocou os garotos que guardam carros no local. "Isso é comum, tia. Os guardas vêm aqui, batem na gente e pegam nosso dinheiro. Eles ameaçam colocar drogas nas nossas coisas e levar a gente preso", diz um menino."Eles o jogaram na parede, bateram nele e depois colocaram ele dentro da viatura. Fiquei assustada e voltei para a faculdade. Não acreditei no que vi", disse uma estudante. "Esses policiais estão sempre aqui. Também tenho medo deles."O senador Eduardo Suplicy (PT), que viu o menino quando saía da igreja, foi à delegacia pedir providências. O resgate foi acionado, mas só chegou ao local mais de uma hora depois. Washington foi levado para o Hospital das Clínicas. "Isso é violência, a mesma violência que Tim Lopes denunciava e da qual foi vítima", disse o senador. Rose Nogueira, do grupo Tortura Nunca Mais, também prometeu averiguar o caso."Vamos identificar estes policiais e verificar o que realmente aconteceu", diz a delegada Daniela Motti. "A corregedoria da Pm será acionada", disse Maurício Constante, delegado do GOE. Cerca de 50 pessoas, entre amigos de Tim Lopes, jornalistas, representantes do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e do grupo Tortura Nunca Mais participaram da missa que foi celebrada por Frei Marcelo.Nesta terça-feira, às 19h, na Igreja da N. Sra. da Consolação, será realizada outra celebração em memória do jornalista. O ato será presidido pelo arcebispo emérito de São Paulo, d. Paulo Evaristo Arns.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.