Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Ato de filiação de Marta ao PMDB vira palanque de críticas ao PT

Evento também foi marcado por discursos em defesa de um candidato da sigla à Presidência nas eleições de 2018

Pedro Venceslau e Aline Bronzati, O Estado de S. Paulo

26 de setembro de 2015 | 13h17

Ladeada pelo vice-presidente Michel Temer, pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (AL) e pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), a senadora Marta Suplicy oficializou neste sábado, 26, sua entrada no PMDB. O ato político lotou o Tuca, teatro da PUC-SP, e foi marcado por críticas ao PT e discursos defendendo que a legenda tenha candidatura própria à Presidência em 2018. Trinta e três anos depois de entrar no PT, Marta pediu sua desfiliação da sigla em abril depois de fazer duras críticas ao partido e ao governo federal.

A senadora afirmou, durante seu discurso, que está honrada em ingressar no partido de Michel Temer. "Conte comigo para reunificar os sonhos, o País. Vamos todos unir o País", disse Marta, que citou vários integrantes da legenda em sua fala, incluindo  o ex-presidente e ex-senador José Sarney (PMDB-AP). "Sarney é um gigante da política. Ele deu ao Brasil a constituição cidadã, o direito ao consumidor e tantas outras conquistas. As pessoas esquecem", destacou a senadora.

Após deixar o PT, Marta negociou ao mesmo tempo com o PMDB e o PSB, que chegou a anunciar sua filiação. A entrada no PMDB foi articulada por Temer. Postulante a vaga de candidata à Prefeitura de São Paulo em 2016, Marta reuniu os principais quadros peeemdebistas no evento e recebeu garantias de que será a escolhida para a disputa.

O discurso mais duro do ato foi feito por Eduardo Cunha. "Que o PMDB siga seu exemplo: vamos largar o PT", disse o presidente da Câmara, que também rompeu com o governo. "O PMDB tem que ter candidato à Presidência. Não podemos mais ir a reboque. Chega de usar o PMDB apenas como parte do processo", concluiu Cunha ao microfone. Os militantes responderam com o refrão "1, 2, 3, 4, 5 mil, Marta em São Paulo e Michel no Brasil". 

Em sua fala, o ex-ministro da Aviação, Moreira Franco, disse que de São Paulo "haverá de sair uma voz que vai percorrer o Brasil". "O PMDB reunificado reunificará o Brasil." 

O secretário de educação do município de São Paulo, Gabriel Chalita (PMDB), que é aliado do prefeito Fernando Haddad (PT), disse que a decisão sobre a candidatura da legenda para a capital em 2016 será tomada em convenção no ano que vem. 

Segundo Chalita, os convencionais decidirão na ocasião se a sigla permanece ao lado do prefeito Fernando Haddad (PT) ou lança candidatura própria. Caso se decida pela segunda opção, a perspectiva é, segundo ele, que "4 ou 5 nomes" entrem na disputa pela vaga.

O ministro da Ciência e Tecnologia, Aldo Rebelo (PC do B-SP), que integra o núcleo de articulação política do Palácio do Planalto, também esteve presente no ato. "Marta é uma amiga de muito tempo", disse o ministro. Ainda segundo Rebelo a presença do PC do B no evento de filiação de Marta não significa um afastamento dos comunistas do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT). Depois do evento de hoje, Marta, que não falou com os jornalistas, receberá os peemedebistas em um almoço em sua casa.

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