Ato dá vaga a namorado de neta; Sarney deve demiti-lo

Ato secreto foi validado, mas senador diz que pedirá exoneração

Rosa Costa e Leandro Colon, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

28 de agosto de 2009 | 00h00

A nomeação do jovem Henrique Dias Bernardes voltou a causar embaraços ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Depois de a diretoria-geral da Casa anunciar ontem a legalização do ato secreto que nomeou Bernardes, Sarney decidiu recuar. Pressionado, avisou que vai pedir a exoneração de Bernardes.Ele foi nomeado em abril do ano passado, quando era namorado de uma neta de Sarney, Maria Beatriz. O nome dele apareceu entre os 20 atos secretos - referentes a nomeações - divulgados ontem pela diretoria-geral numa nova lista de "legalizados". Com as outras 19 medidas validadas, quase metade dos 511 atos secretos identificados em junho já foi legalizada, incluindo outros 45 de nomeações e 80 que deram gratificações a servidores. O que sobrou tem pouca relevância, pois trata de exonerações e comissões de trabalho já extintas pela Casa.O Diário Oficial de hoje deve trazer a validação do ato que nomeou Bernardes, mas Sarney anunciou que ele será demitido em 25 de setembro, quando retorna das férias. O boletim sigiloso que deu emprego a ele foi publicado no dia 10 de abril de 2008. Lotado no serviço médico, ele era namorado de Maria Beatriz Sarney naquela época. Em 22 de julho, o Estado publicou reportagem revelando diálogos captados pela Polícia Federal - com autorização da Justiça - em que o senador negocia com o filho Fernando (pai de Beatriz) a nomeação de Bernardes.?PRIVILÉGIO?Na ocasião, Bernardes disse que não sabia que fora nomeado por ato secreto e chegou afirmar que "era um privilégio para o Senado" tê-lo no quadro de funcionários. O filho do presidente do Senado recorreu à Justiça e conseguiu, no dia 31 de junho, liminar para impedir o Estado de continuar publicando informações sobre a investigação da PF. O argumento da diretoria-geral para validar o ato secreto de nomeação de Bernardes fora o de que sua chefia imediata havia informado que ele vem cumprindo suas funções devidamente. É a mesma justificativa dada aos demais casos, inclusive os de alguns garçons que atendem o plenário, entre eles José Antonio Paiva Torres, nomeado por ato secreto em setembro de 2001. Na semana passada, o Senado já havia validado outras medidas administrativas baixadas sigilosamente. Entre os nomes beneficiados, três ligados a Sarney: a sobrinha Maria do Carmo de Castro Macieira, Nathalie Rondeau - filha de Silas Rondeau, aliado do senador -, e Alba Lima, mulher de Chiquinho Escórcio, também aliado do presidente do Senado. O senador mandou exonerar Maria do Carmo, lotada no gabinete de Mauro Fecury (PMDB-MA), suplente da ex-senadora e hoje governadora Roseana Sarney (PMDB). Já Nathalie Rondeau, por enquanto, continua empregada. Seu pai, Silas Rondeau, foi ministro do governo Lula indicado pelo presidente do Senado. NÚMEROS511 atos secretoseditados pelo Senado foram descobertos em junho20 boletinsconsiderados secretos foram legalizados ontem pela Casa45 atos referentes a nomeações já haviam sido regularizados pela administração do Senado80 medidas ocultas tomadas pela direção do Senado, que diziam respeito a gratificações a servidores, também foram oficializadas

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