Ato da OAB-SP reúne 18 entidades contra greve do Judiciário

Durou pouco menos de uma hora o ato público organizado pela Ordem dos Advogados do Brasil - Secção de São Paulo (OAB-SP), com apoio de 17 entidades pedindo o fim da greve dos funcionários do Judiciário, que já dura cerca de três meses. O ato "Justiça Já" reuniu cerca de 500 manifestantes em frente à sede da entidade, na Praça da Sé, e teve a oposição de um grupo formado por cerca de 200 trabalhadores ligados a sindicatos de servidores do Judiciário e ao PSTU.Durante todo o evento, as duas partes se atacaram verbalmente, mas um cordão policial impediu que os dois grupos se misturassem. No início do ato público e no encerramento, a OAB-SP tocou o Hino Nacional. Todos os discursos foram feitos sob os gritos dos servidores, que chamaram os advogados de "fascistas" e "mercenários".O presidente da OAB-SP, Luiz Flávio Borges D´Urso, afirmou que a entidade não é contrária à greve, mas que a paralisação atinge toda a sociedade paulista e, por isso, a OAB-SP quer saídas adequadas para o movimento. Segundo ele, há 12 milhões de processos acumulados e 400 mil audiências já foram adiadas por conta da greve. A OAB-SP lançou um manifesto pedindo o fim da greve e uma solução conciliatória urgente para colocar fim ao movimento.D´Urso disse ainda que 1.500 presos aguardam julgamento e que muitos dos que já cumpriram pena ainda não foram libertados. "Esses são apenas alguns exemplos do dano irreparável desta greve." De acordo com Ronaldo Curumba, do comando de greve dos servidores do Judiciário, os trabalhadores que protestaram contra o ato público da OAB-SP estavam ali para pedir que a entidade se redima e peça desculpas aos servidores por defender a punição e a demissão dos grevistas.No ato, discursaram, além de D´Urso e conselheiros da OAB-SP, o presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Guilherme Afif Domingos; o presidente eleito do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Cláudio Vaz; o presidente da Bovespa, Raymundo Magliano Filho; o presidente do Sebrae-SP, Alencar Burti; o presidente do Sindicato das Micro e Pequenas Indústrias de São Paulo (Simpi), Joseph Coury; além de representantes da Febraban e do Crea.Em seu pronunciamento, Magliano afirmou que a greve prejudica a retomada da economia porque negócios deixam de ser feitos. "Não é possível firmar contratos sem o aval da Justiça", ressaltou. Cláudio Vaz, do Ciesp, disse que a entidade não é contra a luta salarial, mas lembrou que a Justiça é a garantia para toda a sociedade e que a Justiça tardia não é Justiça porque há muitos sofrendo por falta de deliberação.

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