Ato contra o desmatamento vira manifestação pró-Minc no Rio

'Ruralistas, vocês não sabem com quem estão se metendo', diz ministro, citando o 'povo brasileiro' em discurso

Felipe Werneck, de O Estado de S. Paulo,

08 de junho de 2009 | 18h46

Oficialmente, o ato realizado nesta segunda-feira, 8, na escadaria da Assembleia Legislativa do Rio era "Em Defesa da Legislação Ambiental Brasileira e Contra o Desmatamento", mas virou um "desagravo" em apoio à permanência de Carlos Minc no Ministério do Meio Ambiente. Ao indicar o melhor posicionamento de manifestantes fantasiados segurando cartazes e machadinhas de plástico diante das câmeras, o ministro parecia ter voltado aos velhos tempos de deputado estadual, cargo que ocupou por duas décadas. Em discurso de 28 minutos para cerca de 200 pessoas, amplificado por caixas de som, Minc voltou a atacar ruralistas. Afirmou que "na porrada e na ameaça o que vão conseguir é mobilizar milhões de pessoas no Brasil inteiro".

 

O ministro do Meio Ambiente durante o ato no Rio                                           Foto: Fábio Motta/AE

 

Veja também:

especialEntenda o que está por trás da polêmica com o ministro Minc

 

"Ruralistas, vocês não sabem com quem estão se metendo. Estão se metendo com o povo brasileiro, e vão se dar muito mal. Ou vocês entram na linha, ou a coisa vai ferver", declarou. "Agora, um recado: se quiserem fazer tudo certinho, cumprir as leis, vocês até vão ter uma conversa. Mas, em primeiro lugar: baixa a bola. Segundo: baixa a ameaça. Terceiro: cumpre a lei. Dito isto, se tem um entrave aqui e outro ali, a gente pode até conversar." Pouco antes, ele havia pedido uma salva de palmas para a antecessora no cargo, Marina Silva.

 

Após ter evitado por duas ocasiões segurar machadinhas de plástico oferecidas por manifestantes, Minc não resistiu e dobrou uma delas, simulando quebrá-la, na frente das câmeras. Mas não cantou o coro "Fora Mangabeira, Mangabeira fora", puxado por Maurício Ruiz, do Instituto Terra. "Essa eu só posso ouvir", disse, rindo.

 

Minc relatou ter prometido ao presidente Lula tratar somente com ele questões internas envolvendo outros ministérios. "É claro que o governo é heterogêneo. Não posso comentar sobre todas as frações. Eu prometi que isso a gente ia discutir internamente. Posso falar dos movimentos sociais e dos inimigos dos nossos movimentos. Isso eu falo. Quem está desmatando, quem está poluindo, quem está corrompendo, quem está roubando", discursou. "Não estou enquadrado para não falar quem é que está querendo destruir o Brasil." Minc afirmou que o presidente Lula "está do nosso lado". "Não vou me vender. Não vou me render. Vou resistir." Terminou com um "Viva a Amazônia."

 

Depois, em rápida entrevista, atrasado para pegar o avião para Brasília, o ministro disse ter a "convicção" de que artigos da MP 458 serão vetados por Lula, "sobretudo o artigo sete, que permite a uma empresa de São Paulo ficar com uma grande terra na Amazônia sem estar lá trabalhando há anos".

 

O Batalhão de Choque da PM foi acionado, mas ficou recolhido, e a manifestação terminou sem confusão. Nos discursos, Minc foi elogiado. "Viva o Minc. Viva o trabalho que está sendo feito no ministério", disse Cláudio Nascimento, do Grupo Arco-Íris. Um grupo teatral encenou pequena peça com a personagem "Kátia Bebeu", referência à senadora Kátia Abreu (DEM).

 

O engenheiro agrônomo Alceo Magnanini, de 84 anos, que se identificou como "único sobrevivente" do grupo que redigiu o Código Florestal em 1965, disse que não estava ali "para defender bichinho ou planta, mas para defender o homem". "A turma do bem é aquela que procura o benefício da coletividade. E a turma do mal é aquela que quer o proveito de poucos, e o resto que se dane. Estou com 84 anos e, enquanto estiver vivo, estou com vocês."

Tudo o que sabemos sobre:
Carlos Mincruralistasgoverno

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.