André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Ato anti-Dilma tenta pressionar deputados

Grupos que defendem o impeachment fazem nova manifestação em frente ao Congresso; Brasília deve concentrar protestos

Valmar Hupsel Filho, O Estado de S.Paulo

15 Novembro 2015 | 03h00

Movimentos que organizaram este ano três grandes atos em defesa do impeachment da presidente Dilma Rousseff programaram uma manifestação hoje, em Brasília, na data da Proclamação da República. O protesto deverá ficar restrito a uma mobilização no gramado em frente ao Congresso Nacional, onde integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL) e do Revoltados On line estão acampados há mais de um mês.

Além de Brasília, há atos programados para outras capitais do País, mas a expectativa é de uma adesão bem menor em relação aos protestos anteriores – em março, abril e agosto –, no momento em que a investida pelo impedimento da presidente sofre um refluxo nas instâncias formais e as atenções se voltam para o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acusado de envolvimento no esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato. O peemedebista, no entanto, não deverá ser o foco dos manifestantes, que preferem manter a pauta do impeachment de Dilma.

De acordo com Renan Santos, um dos líderes do MBL, a estratégia agora é a realização de ações pontuais. “Nós fizemos as três maiores manifestações do Brasil. Não precisamos fazer uma quarta para mostrar que as pessoas estão indignadas”, disse. “O que precisamos é de pressão direta sobre os parlamentares. Não é uma mudança de intensidade. É de natureza mesmo.”

O ato na capital federal vai contar com dois trios elétricos. Um boneco inflável que faz alusão à presidente será levado para o local. Segundo a porta-voz da Aliança Nacional dos Movimentos Democráticos, Carla Zambelli, líderes de outros grupos anti-Dilma e organizadores da greve dos caminhoneiros vão participar do protesto.

De acordo Jailton Almeida, porta-voz do Vem Pra Rua, o movimento pretende colher assinaturas de apoio ao projeto do Ministério Público Federal com 10 medidas de combate à corrupção. A ideia, explica Almeida, é recolher 1,5 milhão de apoiamentos, para apresentar a proposta como projeto de iniciativa popular. Até o momento, ele afirma que já foram colhidas 600 mil assinaturas.

Acampamento. Apesar de ter autorização do presidente da Câmara, o acampamento contraria ato do Congresso Nacional de agosto de 2001, que proíbe montagem de tendas ou similares no gramado em frente aos prédios das duas casas legislativas.

Na sexta-feira, a Polícia Militar apreendeu uma pistola 380 e armas brancas no carro de um policial militar reformado que estava no acampamento. Ele foi levado para a 5.ª Delegacia de Polícia Civil.

O episódio levou o líder do PT na Câmara, Sibá Machado, a pedir ao Ministério da Justiça e ao governo do Distrito Federal que acionem as polícias Federal e Civil para investigar a atuação dos movimentos que estão acampados no local.

Também na sexta, houve um princípio de confusão e troca de ameaças entre um grupo que defende a intervenção militar no País e membros da Juventude Socialista Brasileira (JBS). A JBS e outros movimentos como a UNE e CUT promoveram passeatas em defesa do mandato de Dilma e pedindo a saída de Cunha da presidência da Câmara.

No Recife, está previsto para o fim da manhã um buzinaço na Avenida Boa Viagem, na Zona Sul da cidade. Em São Paulo, poderão ocorrer atos de protesto na Avenida Paulista e no Parque do Ibirapuera. / COLABOROU REBECA SILVA, ESPECIAL PARA O ESTADO

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