Ativistas invadem ministério em protesto contra transposição

Cerca de 500 ativistas que se opõem ao projeto de transposição do rio São Francisco tentaram invadir o Ministério de Integração Nacional nesta quinta-feira, mas foram barrados pelos seguranças. O confronto resultou em pessoas levemente feridas e deixou os vidros das portas de entrada do prédio quebrados. "Foi uma ação muito rápida, de 10 minutos, mas os seguranças fecharam as portas (do Ministério)", disse a funcionária do Ministério, Cleia Lima, acrescentando que os manifestantes não conseguiram entrar no prédio.Membros da chamada Articulação Popular pela Defesa do Rio São Francisco, que agrupa mais de 300 organizações de campesinos, da igreja, de indígenas, entre outros, realizaram uma caminhada desde a Esplanada dos Ministérios até o Congresso, onde assistiriam uma audiência pública para debater o projeto. Segundo Josivaldo Oliveira, um dos coordenadores da Articulação Popular, quando a caminhada passou diante do Ministério da Integração Nacional, algumas pessoas quiseram deixaram velas no prédio, simbolizando a morte do plano de transposição, e então começou a confusão. "Aí teve início o tumulto, mas isto não estava planejado", disse. O confronto entre os seguranças e os manifestantes, os vidros das portas do Ministério foram quebrados, e o sem-terra Ronni Fonseca, integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), ficou levemente ferido. Em seguida, segundo Oliveira, Fonseca foi preso pela Polícia Federal, acusado de ser um dos responsáveis pelo confronto. Logo depois, ele foi solto, por falta de provas.Os manifestantes são contra a abertura de canais no rio São Francisco para levar parte de suas águas a regiões secas, porque consideram que irá prejudicar o curso do rio e não irá beneficiar às populações pobres, mas si aos grandes agricultores. A obra irá se estender por 2,7 mil quilômetros, e aguarda apenas uma licença do Ibama para começar. Na última terça-feira, o governo lançou licitações para a construção. A obra irá custar R$ 3.300 milhões e irá beneficiar 12 milhões de habitantes, segundo informações do governo federal.Este texto foi ampliado às 14h55.

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