Ativista repassou mapa para busca no Araguaia

O ativista social Paulo Fonteles Filho repassou à 23ª Brigada de Infantaria de Selva, responsável pela logística da expedição de busca de ossadas de guerrilheiros do Araguaia, uma série de áreas no Sul do Pará que merecem uma análise detalhada de geólogos e legistas.O mapa montado por Fonteles e por Sizostrys Alves da Costa, da Associação dos Torturados na Guerrilha do Araguaia, contou com a colaboração dos principais mateiros do Exército na fase final dos combates com os comunistas.A ideia de parceria com os ex-guias dos militares, homens pobres que sempre foram discriminados pelos chamados grupos de direitos humanos, já era defendida no final dos anos 1970 pelo pai de Paulo Fonteles Filho - Paulo Fonteles, o primeiro advogado da causa da guerrilha, assassinado por pistoleiros em 1987."Eles se tornaram guias do Exército pela tortura e pela coação psicológica. Meu pai já dizia que eles eram vítimas da ditadura e isso se expressa na miséria em que se encontram e no abandono", diz Fonteles Filho.Os grupos de direitos humanos sempre consideraram os ex-guias como cúmplices dos soldados, tendo participação no assassinato de guerrilheiros.Os depoimentos dos ex-guias Zé da Rita e Zé Catingueiro confirmam, por exemplo, segundo Fonteles Filho, que a Clareira do Cabo Rosa, em Brejo Grande do Araguaia, um campo de execuções de guerrilheiros, existiu de fato."Seguramente, ali ocorreram muitos fuzilamentos", afirmou. Ele ressaltou o caráter simbólico da clareira, aberta pelo Exército em 1972 para a descida do helicóptero que resgatou o corpo do cabo Odílio Rosa, morto na região.Na fase derradeira do conflito, de outubro de 1973 ao últimos meses de 1974, guerrilheiros eram levados para o local, onde eram fuzilados.

Leonencio Nossa, BREJO GRANDE DO ARAGUAIA, O Estadao de S.Paulo

20 de julho de 2009 | 00h00

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.