Atitudes de ACM preocupam governo

Apesar de tentar passar uma imagem de que está com a situação controlada, o governo teme as conseqüências da postura de independência que poderá adotar o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) nos próximos meses. Esse foi o principal tema da conversa entre o presidente Fernando Henrique numa reunião, nestas quinta-feira, no Palácio da Alvorada, com os líderes do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF), e no Congresso, Arthur Virgílio (PSDB-AM). Na quarta-feira, logo depois de deixar a presidência do Senado, ACM chegou a dizer que Fernando Henrique foi no mínimo "omisso" em relação ao envolvimento da máquina do governo na sucessão no Congresso. Discurso deu a pista Pelo discurso de despedida feito por ACM, o governo avalia que o senador baiano deu a pista de como será o tom de seu mandato nos dois últimos anos do governo Fernando Henrique. A reunião no Alvorada não contou com a presença do líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), justamente porque o presidente quis cuidar exclusivamente do problema no Senado. Antes de conversar com os seus líderes, Fernando Henrique recebeu pela manhã o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC). O governo espera que o próprio PFL consiga controlar as ações de ACM. Estratégia: desacreditar ACM Caso os pefelistas se mostrem impotentes para conter o ímpeto do cacique baiano, o Planalto já tem uma estratégia para neutralizá-lo: iniciará um trabalho para desacreditar ACM. O governo acredita que o excesso de denúncias apresentadas pelo senador Antonio Carlos enfraquecerão sua credibilidade. Nesta quinta-feira, todos os articuladores políticos do governo tentaram minimizar os ataques feitos no dia anterior ao presidente pelo próprio ACM. Todos eles esforçam-se para passar uma imagem de que a situação na base está controlada. "Unir esforços" "O presidente trabalha para recompor a base e com isso evitar que a mágoa vire rancor", disse o líder Arthur Virgílio. "O episódio eleitoral encerrou-se ontem (quarta-feira)", reforçou o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga. "Agora, está na hora de unir esforços." Com o clima tumultuado no Congresso, o governo evitará ao máximo votar matérias constitucionais. O Planalto tenta fugir do quorum qualificado dos três quintos. Só serão colocadas em pauta, as emendas consideradas prioritárias. A preferência será pelas votações que precisem apenas de maioria simples.

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