Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Atiradores e colecionadores ameaçaram senadores contrários a projeto que libera porte de armamento

Duas pessoas, uma de Alagoas e outra de São Paulo, se apresentaram à Polícia do Senado como autores do crime; órgão afirma que pretende indiciar ambos e encaminhar o caso para o Ministério Público e a Justiça

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2022 | 20h45

BRASÍLIA - A Polícia do Senado deve indiciar duas pessoas que ameaçaram senadores contrários à flexibilização do porte e da posse de armas no País. A intimidação foi denunciada na semana passada, após a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) adiar a votação de um projeto que facilita o acesso a armas para caçadores, atiradores e colecionadores (CACs). 

Os dois se apresentaram à Polícia do Senado como CACs. Eles enviaram mensagens com ameaças os senadores Eliziane Gama (Cidadania-MA), Eduardo Girão (Podemos-CE) e Simone Tebet (MDB-MS), contrários ao projeto. Um deles é de Alagoas e outro é de São Paulo e confessaram a autoria do crime, além de manifestarem arrependimento com as declarações, de acordo com relatório da Polícia do Senado lido pelo relator da proposta, Marcos do Val (ES). 

No relatório, a Polícia afirma que pretende indiciar os autores e encaminhar o caso para o Ministério Público e a Justiça. Além disso, o órgão vai pedir a cassação do registro de três armas de fogo de um dos denunciados e a suspensão do processo de registro de arma do segundo acusado. 

Apesar das ameaças, o relator defendeu a aprovação dos projetos na próxima semana. "Não podemos dizer que a exceção é a regra e generalizar dizendo que dois tiveram essa atitude e que 600 mil CACs fariam o mesmo", afirmou do Val no plenário. Os senadores contrários ao projeto, porém, vão tentar derrubar a proposta na comissão. 

O relator ampliou o escopo da proposta, estendendo o porte de armas para uma série de categorias no País, incluindo agentes socioeducativos, defensores públicos, policiais das Assembleias Legislativas, oficiais de justiça, agentes de trânsito e membros do Congresso Nacional. A mudança aumentou as críticas ao projeto. 

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), afirmou que pautará o projeto no plenário após análise da comissão, para ser aprovado ou derrotado. Em relação às ameaças, ele repudiou a atitude dos denunciados e afirmou que a Polícia do Senado continuará apurando o caso. "Certamente, após a conclusão dos trabalhos da Polícia do Senado, o Ministério Público cuidará de processar cada uma dessas pessoas que praticaram esses crimes."

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