Atingidos por barragem protestam contra usina em RO

Dezenas de famílias que moram em assentamentos atingidos ou próximos ao local onde será formado o lago do reservatório da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio, em Rondônia, protestaram hoje contra a empresa responsável e o Ibama, que recentemente concedeu a Licença de Operação, documento que permite que a empresa inicie o enchimento do reservatório. Os manifestantes fazem parte do Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB). Eles denunciam descumprimento de compromissos da empresa em promover medidas para garantir a sustentabilidade das famílias que foram remanejadas. Segundo o MAB, a barragem de Santo Antônio deve afetar direta ou indiretamente quase três mil pessoas.

GABRIELA CABRAL, Agência Estado

29 Setembro 2011 | 17h14

Segundo um dos representantes do MAB, Elias Paulo Dobrovolski, a vida nos reassentamentos está ameaçada desde a proibição da pesca e retirada de madeira, o que resultou na restrição da principal fonte de renda. De acordo com ele, um dos problemas nos assentamentos para os quais foram transferidos os moradores é que eles possuem medidas diferentes. "A fonte de renda que a Santo Antônio Energia impôs para as famílias foi a produção de mandioca e muitos não estão conseguindo sobreviver", alegou Dobrovolski.

No Ibama, os manifestantes foram recebidos pelo Superintendente, César Guimarães, que protocolou a pauta de reivindicações do MAB. Guimarães explicou aos representantes do movimento as etapas do licenciamento e salientou que as decisões de licença de operação são centralizadas em Brasília. Durante a reunião, o grupo de famílias criticou o órgão por negligenciar o cumprimento do Plano Básico Ambiental. "Havia uma condicionante no PBA para que as famílias que fossem remanejadas tivessem condições de viver em melhor ou igual condição do que estavam vivendo antes, e isso não aconteceu", criticou um dos representantes. O superintendente garantiu enviar a pauta de reivindicações à Brasília a fim de garantir uma reunião com os manifestantes.

O grupo seguiu até a sede da Santo Antônio Energia, empresa responsável pelo empreendimento, e prometeu acampar. Dois líderes foram recebidos pela empresa.

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