Atentados levam Brasil a repensar defesa civil

Os ataques terroristas aos EstadosUnidos poderão levar o Brasil a montar um esquema de defesacivil. A idéia é de o Brasil possuir um sistema de socorro àpopulação que funcione a exemplo do que se viu em Washington eNova York, desde a última quarta-feira.Todos os níveis de governo (federal, estaduais emunicipais) precisam estar preparados para ajudar no atendimentoa vítimas de catástrofes. "Precisamos ter um sistemapreventivo", disse o ministro da Justiça, José Gregori, aoEstado.O ministro da Justiça quer receber, até quinta-feira, umrelatório completo dos meios que o País dispõe para empregar emcaso de qualquer tipo de calamidade. Na lista de calamidadespodem ser listadas desde problemas enfrentados com secas,enchentes e incêndios florestais, mais comuns no Brasil, aatentados terroristas, que o governo começa a se preocuparporque já verificou que a rede de atuação desse tipo de crimenão tem fronteiras. A partir desse encontro, o governo quertraçar uma estratégia de ação a ser desencadeada.O relatório foi encomendado pelo Planalto na últimaquinta-feira, durante reunião entre os ministros da Justiça e odo Gabinete de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso,e representantes da Defesa Civil. Segundo Gregori, na reuniãoconstatou-se que o governo enfrentaria dificuldades no resgatede feridos e de corpos diante de alguma catástrofe pela falta deequipamentos e total ausência de coordenação de trabalho.Para o ministro, também é necessário formar uma culturade solidariedade no País, para facilitar a doação de sangue eaté mesmo arregimentar voluntários para ajudar no atendimento aferidos. O ministro reconhece que não há essa cultura no País."Mas precisa ser criada", defendeu.Bombeiros - O ministro da Justiça comentou que um dospilares da defesa civil são os bombeiros que enfrentam sériosproblemas de desaparelhamento na maioria das cidadesbrasileiras. Gregori salientou que as cenas na televisãorevelaram a importância dos bombeiros em tragédias como a doataque ao World Trade Center.Os corpos de bombeiros militares do País não foramcontemplados ou sequer lembrados pelo Plano Nacional deSegurança Pública. A própria Secretaria Nacional de Defesa Civil vinculada ao Ministério da Integração Nacional e completamentedesconhecida de todos os demais setores do governo, tambémenfrenta sérios problemas com falta de recursos apesar de, nopapel, contar até mesmo com um Fundo Especial para CalamidadesPúblicas, o FUNCAP. Criado em 1969 com a finalidade financiar asações de socorro, de assistência à população e de reabilitaçãode áreas atingidas, o fundo foi ignorado até hoje pela áreaeconômica."Infelizmente não conseguimos sensibilizar a áreaeconômica e não dispomos de recursos no orçamento", desabafou ochefe do Departamento de Resposta aos Desastres e Reconstrução,órgão da secretaria de defesa civil, Paulo Roberto Mourão queacha que os parlamentares também devem se mobilizar para que ofundo se torne uma realidade.Mourão está animado com o fato de o governo ter decididodar uma atenção especial a este setor. "A defesa civil somostodos nós", disse ele, ressaltando que não é preciso criar maisnada, apenas dar capilaridade ao que já existe. "Temos deimplementar o que já existe e buscar parcerias, criando uma novaconsciência na sociedade", avisou.Segundo Mourão, apenas dois Estados possuem umaestrutura satisfatória de defesa civil no País: São Paulo e Riode Janeiro. Mas isso não significa, no entanto, que cadamunicípio tenha pessoal treinado para agir em caso decalamidades e que as ações estejam articuladas.Mourão salientou que o funcionamento de um verdadeirosistema de defesa civil exige a formação de uma rede ligando osgovernos federal e estaduais aos 5.507 municípios. Em cada localos papéis das pessoas seriam definidos para ajuda em caso decatástrofes. Ele advertiu que a missão maior da defesa civil émanter a segurança global da população e que, neste esforço, ogoverno federal deveria forçar os demais níveis de administraçãoa se mobilizarem, criando as coordenadorias estaduais emunicipais.Paulo Mourão defendeu ainda a necessidade de seremfeitos treinamentos com a população, tanto em casa quanto noslocais de trabalho e nas escolas, para que haja umaconscientização de todos e formação de uma nova mentalidade demobilização.

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