Josoaldo de Oliveira
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Atentado no Maranhão deixa dois índios mortos; Moro fala em enviar Força Nacional

Ataques ocorreram no município de Jenipapo dos Vieiras, 500 quilômetros ao sul de São Luís; há um mês outro indígena havia sido morto

Paulo Beraldo, O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2019 | 19h08
Atualizado 09 de dezembro de 2019 | 11h13

Dois índios da etnia guajajara morreram após atentado a balas ontem às margens da BR-226, no município de Jenipapo dos Vieiras, no Maranhão, 500 quilômetros ao sul da capital São Luís. Em pouco mais de um mês, foram três vítimas na região. De acordo com a Fundação Nacional do Índio (Funai), os indígenas foram atingidos por tiros disparados por ocupantes de um veículo Celta, de cor branca e com vidros espelhados por volta das 14h30. Outros dois ficaram feridos.

Após a confirmação das mortes, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, lamentou o ataque e informou no Twitter que uma equipe da Polícia Federal havia sido enviada ao local para investigar o crime e suas motivações. “Vamos avaliar a viabilidade do envio de equipe da Força Nacional à região. Nossa solidariedade às vítimas e aos seus familiares”, escreveu Moro.  

Em nota, a Funai também lamentou as mortes ocorridas na Terra Indígena Cana Brava, próxima da Aldeia El-Betel, e afirmou que enviou equipe à região, assim como fizeram as secretaria de Segurança Pública e de Direitos Humanos do Maranhão. Depois do atentado, como forma de protesto, os indígenas interditaram a rodovia nos dois sentidos e a passagem de veículos ficou bloqueada. Episódios assim têm sido recorrentes na região.

No dia 1º de novembro, Paulo Paulino Guajajara foi morto em uma emboscada na Terra Indígena Arariboia (MA) quando realizava uma ronda contra invasões. Considerado um dos “guardiões da floresta”, era conhecido por ser calado e estrategista.

Há cinco anos que a escalada de violência em terras indígenas do Maranhão levou o Ministério Público Federal (MPF) a pedir na Justiça que as autoridades tomem providências para evitar mais mortes. Atualmente existem ao menos quatro “guardiões” sob ameaça de morte na área e outros 20 em todo o Estado. 

O governador Flávio Dino (PCdoB) já criou uma força-tarefa para garantir a segurança dos indígenas e mediar possíveis conflitos. De acordo com o governo estadual, no entanto, para funcionar plenamente a força-tarefa depende da União. Organizados desde 2012 com auxílio da Funai, os “guardiões” são grupos formados pelos próprios índios para proteger suas terras de invasões. Na Aririboia são cerca de cem jovens que patrulham a floresta armados com arcos, flechas e cordas. Armas de fogo são vetadas.

Lideranças condenam ataque

Para a líder indígena Sônia Guajajara é hora de dar um basta nessas mortes. "Me preocupa a explosão de violência e intolerância na Amazônia. Esses três assassinatos em 35 dias no Maranhão não podem ser considerados crimes isolados. São casos articulados e fomentados por essa onda de incitação ao ódio em curso no Brasil", afirmou ela ao Estado

A deputada federal Joênia Wapichana (Rede-RR), líder da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas, comentou que a situação é urgente e ligou o aumento da violência à impunidade. "A violência está crescendo porque não há punição", disse.

Ela defendeu que a Polícia Federal e a Força Nacional atuem provisoriamente para garantir a segurança da região, mas pediu uma atuação contínua e permanente, com maior fiscalização. "É essencial que se crie uma base de proteção contra essa violência orquestrada".

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