Atentado contra Cheney aumenta cautela na visita de Bush

O governo brasileiro montou o maior aparato de segurança já dado a um chefe de estado para receber o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, nos próximos dias 8 e 9. Foram acionadas tropas do Exército e da Aeronáutica e mobilizados 200 policiais de elite da Polícia Federal para atuar diretamente na segurança do presidente americano e sua comitiva. As cautelas foram reforçadas em razão do atentado contra o vice-presidente Dick Cheney, semana passada, no Afeganistão.O esquema de segurança começou a ser discutido em detalhes há mais de um mês. O efetivo da PF inclui uma equipe do Comando de Operações Táticas (COT), a força mais especializada do País para atuar em situação de risco extremo. Os brasileiros atuarão em sintonia com os efetivos da CIA, do FBI e do serviço secreto americano que darão cobertura à visita de Bush ao Brasil. "Ele (Bush) é alvo potencial em qualquer parte do mundo. Por isso adotamos o risco de segurança no nível mais elevado, todos os recursos foram mobilizados para a visita", disse o coordenador-geral de Defesa Institucional da PF, Daniel Sampaio.Mas os americanos adotaram suas próprias cautelas e estão trazendo, além de 250 agentes de segurança, armas poderosas, inclusive antimíssil, equipamentos de comunicação e toneladas de material de consumo para evitar todo tipo de risco ao presidente à comitiva, que inclui a secretária de Estado, Condoleezza Rice. Eles já trouxeram, numa missão precursora que chegou na semana passada a São Paulo, um cargueiro lotado com material de consumo, desde água a produtos de limpeza, higiene pessoal e alimentos. Trouxeram também grande quantidade de armas desde as não letais até as letais e tecnológicas, uma central de comunicação, 12 furgões blindados e uma unidade médica móvel. Até o combustível a ser usado nos veículos da comitiva presidencial vem dos Estados Unidos. "Eles adotam nas viagens do presidente um esquema de risco zero e trazem tudo que vai ser usado ou consumido pela comitiva e a equipe de apoio", observou Sampaio. Por força dos acordos de cooperação e reciprocidade entre os dois países, os americanos só precisaram declarar, do que estão trazendo, as armas que portarão enquanto estiverem em território brasileiro. A PF concedeu os portes de arma, mas não revela quantidades nem o tipo de armamento por motivo de segurança. Nas reuniões foram acertados todos os detalhes, inclusive um esquema de credenciamento para definir quem pode ou não se aproximar da comitiva. "Eles têm obsessão com os riscos de terrorismo. A segurança será total, sobre qualquer coisa e a qualquer hora enquanto durar a visita".

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