Kevin Lamarque/Reuters
Kevin Lamarque/Reuters

EUA interceptaram até o telefone do avião de Dilma, diz Wikileaks

No total, 29 telefones de pessoas do alto escalão do governo brasileiro foram alvos de escutas do governo americano

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

04 de julho de 2015 | 10h11

O grupo Wikileaks revelou neste sábado, 4, que a presidente Dilma Rousseff, diversos de seus ministros e até mesmo o avião presidencial foram alvos de interceptações telefônicas por parte da Agência de Segurança Nacional dos EUA. No total, 29 números de telefones de membros do alto escalão do governo brasileiro foram selecionados para ser alvos de uma "intensiva interceptação". 

As datas da operação, porém, não foram divulgadas. Mas Julian Assange, fundador do Wikileaks, sugere que as escutas continuam aos assessores de Dilma. 

A revelação ocorre poucos dias depois da viagem da presidente Dilma Rousseff aos EUA. Com Barack Obama, ela chegou a indicar que a questão das escutas estava superada. Obama já havia dado garantias de que a presidente não estava mais sob escuta. Em 2013, Dilma tinha viagem marcada para Washington. Mas revelações no mesmo sentido suspenderam o encontro. 

"Mas a publicação prova que não apenas a presidente Dilma Rousseff foi alvo, mas também seu assistente, sua secretária, sua chefe de gabinete, seu escritório no Palácio do Planalto e até seu telefone no avião presidencial", indicou o Wikileaks, em um comunicado de imprensa. 

"Até em suas viagens oficiais, a presidente Dilma não estava protegida de interceptações, já que a lista de alvos incluía o telefone satelital Inmarsat no avião da presidente ", indicou o grupo. 

Para o Wikileaks, o governo americano promoveu não apenas a escuta do que fazia a presidente, mas promover uma " campanha de espionagem econômica contra o Brasil ". Na lista de telefones interceptados estavam os principais responsáveis por administrar a economia brasileira, inclusive o presidente do Banco Central. 

Nelson Barbosa, na época secretário-executivo do Ministério da Fazenda e atual ministro do Planejamento, também estava na lista, além de Antonio Palocci. 

A diplomacia nacional e os representantes militares também estavam sob escuta. Os celulares do ex-chanceler Luiz Alberto Figueiredo Machado e do general Jose Elito Carvalho Siqueira aparecem como foco. O militar era o diretor do Gabinete de Segurança Institucional, com a responsabilidade em temas de segurança nacional e defesa. 

Embaixadas brasileiras no exterior também foram alvos de escutas. Na lista, os números dos embaixadores do País em Paris, Bruxelas, Washington, Berlim e Genebra aparecem como alvo. 

"A publicação de hoje mostra que os EUA precisam ainda caminhar muito para provar que seu sistema de monitoramento de governos aliados acabou ", declarou Julian Assange, fundador do Wikileaks. 

"Os EUA não apenas colocaram Dilma como alvo, mas as principais pessoas com quem ela fala todos os dias ", indicou. 

"Mesmo se pudéssemos confiar nas garantias dos EUA de que já não colocam Dilma como alvo de escutas, o que eles não podem, é difícil de seu imaginar que a presidente pode administrar o Brasil falando apenas consigo mesma o dia todo", ironizou Assange. 

"Se a presidente Dilma quer mais investimentos dos EUA no Brasil depois de sua viagem, como ela alega, ela não pode garantir às empresas brasileiras que seus colegas nos EUA não tem vantagens dadas por esse monitoramento até que não tenha garantias de que a espionagem acabou - não apenas a ela, mas a todos os temas brasileiros ", completou Assange.

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