Até PT quer debater normas de tratado

Para dirigente da CUT, Brasil não deve ser um ?pequeno imperialista?

Roldão Arruda, O Estadao de S.Paulo

08 de janeiro de 2009 | 00h00

Não é só o MST que vê com simpatia as propostas do governo paraguaio, de reavaliação da dívida da obra da hidrelétrica de Itaipu e dos preços da energia que vende ao Brasil. O assunto tem sido debatido no interior de vários movimentos populares, entidades sindicais e organizações católicas.A lista inclui desde a Central Única dos Trabalhadores (CUT) - a maior do País, ligada ao PT - à Comissão Pastoral da Terra (CPT), vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Assessores dessas duas organizações dizem que elas ainda não definiram que partido vão tomar, mas admitem que estão discutindo.O interesse é tão grande que o PT, por meio da sua Secretaria de Movimentos Populares, vai organizar um debate sobre a questão. A data e o local ainda não foram definidos, mas é provável que ocorra no final de fevereiro, na cidade de Foz do Iguaçu, no Paraná, na região da hidrelétrica, com a presença de representantes paraguaios."Há muito interesse por esse debate", diz o secretário do setor de Movimentos Populares do PT, Renato Simões. "A crise econômica mundial deve tornar mais agudos os problemas do nosso vizinho e nós não podemos ficar alheios a isso."FÓRUMJá se prevê que no Fórum Social Mundial, que começa no dia 27, em Belém, no Pará, a questão de Itaipu será um dos temas de destaque. Lá são esperadas numerosas delegações da Venezuela e da Bolívia, que apoiam o pleito paraguaio.De acordo com o sindicalista Antonio Carlos Spis, que representa a CUT nas articulações com outras organizações sindicais e movimentos sociais, a questão paraguaia reabre um antigo debate sobre a integração latino-americana. "A CUT ainda não se posicionou. Pessoalmente, porém, defendo que o Brasil adote uma posição solidária, deixando de ser o pequeno imperialista que tentou ser no governo de Fernando Henrique Cardoso. A integração latino-americana pode ser fortalecida com a solidariedade no setor de energia."De todas as organizações envolvidas no debate, a que parece mais definida até agora é o MST. De acordo com Roberto Baggio, que faz parte da coordenação nacional do MST e atua no Paraná, isso ocorre porque a entidade sempre defende a soberania dos povos."Assim como defendemos que os recursos do petróleo no pré-sal devem ser usados pelo povo brasileiro e que os recursos minerais devem garantir melhores condições de vida ao povo brasileiro, nós defendemos o direito do povo paraguaio usar como quiser seus 50% da energia produzida em Itaipu", explicou o líder dos sem-terra no Paraná.

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