Até oposição admite arquivar segundo processo contra Renan

Presidente do Senado é acusado de tráfico de influência em favor da empresa Schincariol

Rosa Costa, do Estadão,

18 Setembro 2007 | 08h53

O Conselho de Ética do Senado analisa nesta quarta-feira, 19, o segundo processo contra o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). A tendência dos senadores é de arquivar o processo, iniciado a partir de uma representação do PSOL, na qual a única peça de acusação é uma matéria da revista Veja que trata do assunto, disse Leomar Quintanilha, presidente do órgão. Renan é acusado de tráfico de influência em favor da empresa Schincariol.   Veja também: Em encontro com Lula, Renan não dará espaço para discutir licença Especial: veja como foi a sessão que livrou Renan da cassação Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan  Fórum: dê a sua opinião sobre a decisão do Senado   "Nós não reunimos o conselho ainda, mas já ouvi de membros opiniões diversas sobre essa representação número dois, que revelam a impertinência dela", declarou. Quintanilha sinalizou também que a votação do relatório da segunda representação pode ser secreta. "É claro que, como da outra vez, cabe recurso", disse. E tudo indica que o relatório do senador João Pedro (PT-AM) pedirá o arquivamento do caso. Ele deve alegar que não existem provas suficientes teria atuado na Receita Federal e no INSS para diminuir dívidas da empresa.   A oposição também acredita ser difícil impedir o arquivamento da representação. O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) disse que, "apesar da seriedade da representação", é difícil reunir provas para sustentá-la, sem o apoio dos dirigentes da Receita Federal e do INSS. "Tudo o que está na reportagem é verdade, mas eu tentei e nenhuma das autoridades que passaram a informação quis falar", informou.   Para o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), seria "leviano" agir sem dispor de provas obtidas na primeira representação, quando a perícia da Polícia Federal desmontou toda a trama encenada por Renan para justificar o rendimento de R$ 1,9 milhão em quatro anos.   Virgílio ouvirá nesta terça-feira a bancada sobre essa representação. O senador Heráclito Fortes (DEM-PI) prevê que a reação da opinião pública contra a absolvição de Renan vai levar colegas de todos os partidos a repensarem o apoio a ele. Por ora, o que chama a atenção é a falta de entrosamento e a ausência da represálias viáveis por parte de parlamentares da oposição.   CPMF   Os senadores prometeram obstruir as votações, a ponto de inviabilizar a votação da CPMF, mas se fizerem isto também estarão impedido a votação do projeto de resolução que acaba com as sessões secretas no julgamento de perda de mandato. O texto foi publicado na última quarta-feira e até esta terça-feira estará em fase de recebimento de emendas.   Depois de ser examinada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) estará pronta para ser votada em plenário, se a pauta não estiver obstruída por medidas provisórias ou projetos de escolha de autoridades. Arthur Virgílio defende, ainda, que as demais representações contra Renan sejam examinadas de uma só vez.   A terceira delas trata da sociedade de Renan com o usineiro João Lyra na compra de um jornal diário e de duas emissoras de rádio em nome de laranjas. A outra é sobre a cobrança de propina nos ministérios comandados pelo PMDB, que ainda não foi enviada ao Conselho de Ética. A união das duas implicaria em atrasar a denúncia mais documentada, sobre sua parceria com Lyra e testas de ferro.   Planalto e outras acusações   Renan deve encontrar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta terça-feira para decidir seu futuro. O Planalto quer que o senador peça licença, deixando o Senado sob o comando do primeiro vice-presidente, Tião Viana (PT-AC), e assim baixar a temperatura da crise e conseguir a votação da prorrogação da CPMF. Mas o senador deu sinais evidentes de que não pretende deixar sua cadeira.   Além do caso Schin, tramita no conselho uma terceira representação. Renan é acusado de usar "laranjas" na compra de emissoras de rádio em Alagoas com dinheiro de origem desconhecida. A quarta acusação - de que teria participado de esquema de desvio de recursos em ministérios do PMDB - está na Mesa do Senado. Quintanilha esclareceu que a terceira representação ainda não tem relator. Ele afirmou que esse relator só será escolhido depois da conclusão do segundo processo e que, não necessariamente, precisa ser um parlamentar da base do governo.   A quarta representação contra Renan será entregue pela Mesa do Senado a ao vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC), nesta terça-feira. Como nos outros processos, o petista deve pedir parecer jurídico da Advocacia-Geral do Senado antes de os membros da Mesa decidirem sobre o acolhimento ou não dessa representação. Se for acolhida, será enviada ao Conselho de Ética. Se não, será imediatamente arquivada.   Texto corrigido às 12h54. Diferentemente do que foi informado, a reunião do Conselho de Ética no Senado para analisar a segunda representação contra o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), será nesta quarta-feira, às 10 horas, e não nesta terça-feira.

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