Até em Oslo houve protesto contra Senado

A absolvição do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), atravessou o oceano. No início da noite de ontem, durante cerimônia de boas-vindas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Palácio Real da Noruega, em Oslo - a 10.754 quilômetros de Brasília -, dois brasileiros ergueram uma folha de papel com os dizeres "o Senado é uma piada" e "a base da política é corrupta!". O discreto protesto acabou diluído diante da animação dos brasileiros que acenavam para Lula cantando "olé olé, olé, olé, olá, Lula, Lula", jingle de todas as campanhas. Lula chegou ao palácio a bordo de uma limusine preta e foi recebido com salva de tiros e honras de chefe de Estado pelo rei Harald V e pela rainha Sonja. Depois de passar as tropas em revista, não resistiu aos gritos de "Lula, eu te amo" e quebrou o protocolo: aproximou-se do grupo de 180 brasileiros, deu beijos, autógrafos, levantou crianças e posou para fotos. Na platéia, os paulistas Josilene da Silva e Édson José de Paula Santos seguravam a folha com a crítica à absolvição de Renan. De um lado estava a inscrição "a base política é corrupta!", assinada por "os da Silva". Do outro, a frase "o Senado é uma piada", escrita em cor-de-rosa. A confusão foi tanta que o protesto passou despercebido por Lula. "Não podemos aceitar que esse caso se transforme em pizza", disse Édson, jornalista que mora há 22 anos em Oslo. "O governo ajudou a salvar o Renan", completou a dona de casa Josilene, há quatro anos na capital da Noruega. Josilene arriscou um contato com o presidente quando ele se aproximou do grupo. "Cuida do nosso país!", pediu, já sem exibir o papel pardo, a essa altura bastante amassado pelo empurra-empurra. Foi a primeira-dama Marisa Letícia que respondeu: "Quando vocês voltarem, o Brasil vai estar melhor". A dona de casa não perdeu a deixa: "Eu não vou voltar".Vestido à la Chacrinha e com uma corneta, o norueguês Klas Solberg tocava Cidade Maravilhosa enquanto Lula cumprimentava seus fãs. Do outro lado do Palácio Real, brasileiros usavam camisetas do Movimento dos Sem-Terra (MST) e bonés vermelhos. Duas bandeiras do MST foram penduradas no cordão de isolamento. Antes que o presidente se despedisse, o enfermeiro paulista Roger Sousa fez um desabafo. "O Congresso tem que aprovar a união dos homossexuais!", insistiu. Lula o tranqüilizou: "Vai aprovar, vai aprovar". Sorridente, ainda parou para ouvir uma canção ensaiada por crianças norueguesas, antes de seguir para o jantar de gala.

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